24 de junho de 2009

Rafa, você vê futuro no formato blog? A origem do Cemitério

O tempo passa realmente muito rápido, são quase dois meses que atualizo constantemente esse espaço a cada dia. Às vezes hilário, certos momentos um tanto lírico e singelo, ou até obscuro e sinistro, oriundo das trevas e carregando nas entrelinhas todo poder da maldição que é esse mal do século XXI. Consciente desse fato, semanas atrás brotou a ideia de escrever um texto referente a proposta desse Cemitério de Palavras Perdidas, nada promocional, seria uma confecção, envolto a uma expectativa diferenciada de meros e tolos devaneios que tanto gosto, sabia bem que o faria, só não tinha exata noção de quando e menos ainda do conteúdo relativo à montagem, precisava de uma fonte de inspiração, que chegou no instante em que menos esperava.

Não havia nem meia hora que despertara do sono profundo e logo quando fiquei ON no MSN a indagação por parte de um amigo, “Rafa, você realmente vê futuro no formato blog?”, confesso que suspirei e até o coração deu uma acelerada quando li e tive que organizar gradativamente os pensamentos a respeito de uma resposta plausível e fundamentada, se era para dizer qualquer coisa, melhor seria ficar calado, isso é bastante óbvio.

A internet com suas ferramentas e condições imediatistas vem transformando os meios de comunicação de uma forma geral. Existesempre aquele “papinho” beirando também sempre ou quase o senso comum, que diz que com a proliferação de blogs – verdadeiro modismo -, e demais outros utensílios da Web, refletirão negativamente nos jornais impressos que estarão fadados a desaparecer. Há mais de 100 anos, sempre com a chegada e popularização de algum gênero midiático, os impressos estão predestinados ao anonimato.

Os jornais ainda terão vida longa, creio até que nunca morrerão, só anseio que nos próximos dez ou vinte anos metade dos jornais vai sucumbir, alguns já vêm padecendo, os doutrinários alternativos, por exemplo, lutam desenfreadamente pela sobrevida. É evidente que grandes modelos como “Folha de São Paulo”, “Estadão”, “O Globo”, entre outros, resistirão bravamente, e mesmo o país popularmente não sendo uma grande “escola” de leitores, existe público sim, os governos FH e Lula trouxeram muita gente para a classe média e o número de alfabetizados aumenta e consequentemente também a proporção de ledores.

Projetos de blogs em meio a toda variedade de concepção artística, surgem também como uma forma mínina de divulgação de trabalhos escritos, seja no universo literário, poético e até jornalístico. Dar vida ao próprio trabalho, uma forma mínima de aparecer profissionalmente, desenvolver novas habilidades em torno de milhões de trabalhos diferentes, o desafio é divulgar esse apetrecho na própria net, porque blog que ninguém visita é igual ao querido diário trancado na gaveta.

A superioridade blogueira,nessa batalha, pré-estabelecida entre impresso e virtual vem se tornando uma luta desigual. Não que não goste de vertentes impressas, pelo contrário, acontece que as notícias vêm cada vez mais conferidas a uma espécie de “anedotismo” fulminante, quando a proposta deveria ser de um canal para aprofundar os acontecimentos que assolam o mundo. O que se vê são jornais de variedades com linguagem semelhante sobre cada tema, apenas separado por seções. Em contra partida, diariamente surgem blogs de variedades e especializados em destrinchar os mais diversos assuntos. Além do que, as ferramentas da web se tornaram mais interessantes e imediatistas em relação ao padrão habitual impresso. Apesar de que a ideia de blog é desenvolver temas em textos curtos – particularmente não respeito essa regra aqui no cemitério -, a publicação pode ser preenchida com imagens, assim como no impresso e centenas de links para aprofundar a informação, além da inserção de vídeos e outros recursos.


No caso de jornalista é a oportunidade de romper as barreiras do trabalho, se inteirando a novas segmentações fora da jornada corriqueira. Para aqueles que não atuam em qualquer meio fixo é ainda mais relevante, a possibilidade de se manter em constante produção, evoluindo autodidaticamente e o benefício, claro que estar no ritmo adequado durante um teste ou oportunidade empregatícia.

Reza a lenda que os representantes das editoras, vivem em contato direto com blogs e similares por acreditarem que a futura geração poética e autoral pensante está aqui nessa ferramenta – por favor não me refiro ao Cemitério... Parece loucura, mas como jornalista quando tive, na semana passada , o sabor indigesto da abolição da obrigatoriedade do diploma para exerção da atividade, à princípio fui invadido por uma impiedosa tristeza, sensação imensa de vazio e perda. Até que me lembrei desse blog, pode ser uma grande blasfêmia, mas não consigo parar de pensar que de repente os editores de jornais podem passar a freqüentar a web em busca de novos “talentos” jornalísticos, por sorte do acaso acabem se deparando comigo e assim...Custa nada sonhar certo?

Lembro que há algum tempo fiz um teste em um jornal aqui da cidade, um dia de trabalho com duas pautas a mão. O resultado final das matérias foi razoavelmente bom, olhando pelo aspecto de primeiro dia, ambiente desconhecido, ansiedade e claro, falta de ritmo...Esse foi um ponto funcional, mesmo com extremas situações adversas, o sentimento pessoal, podia ter rendido um pouco mais... Foi aí que surgiu a idéia do Cemitério, divulgar minha arte, tornar concreto meu textual anteriormente abstrato. Projeto de textos que já nem acreditava mais um dia redigir, com críticas relativas a meus temas favoritos, releituras de notícias, literatura, divagações, narrativas, poetizações, analises... Ufa. Óbvio que o conteúdo desse blog, não poderia ser concebido pela grande imprensa. Aqui sou livre, a censura é minha própria e infame consciência pensante. A intenção é estabelecer sintonia entre homem e texto, quero ver se agora não entro no ritmo da escrita, no entrosamento perfeito com as letras.


9 Coveiros:

diego disse...

Fala ai cara! Parabéns pelo texto.. realmente escreve muito bem e os blogs realmente não precisam ser formalizados nem estereotipados... Esse é nosso espaço para escrever o que bem entendermos e o que nos faz sentir bem!
Muito bom o blog!

www.sucodelimao.com.br

Lara Lemos disse...

Falou a voz de uma joventude, RS, Rafa vc vai se tornar um mito do universo escrito e blogueiro, vc é a inteligencia em pessoa veio

Ana Paula Moreira disse...

Gostei muito do seu post. Me encaixo completamente na situação. Sou jornalista, formada, desempregada, que vi na ferramenta blog a oportunidade de divulgar meu trabalho e continuar escrevendo. Assim como você, espero que um dia algum editor me encontre pela rede e quem sabe, eu consiga um emprego formal. rs. Ah, e eu acredito sim no blog. vejo cada dia mais que as ferramentas da internet representam o presente e o futuro. Não sei se o jornal acaba, mas como vc disse, provalvelmente diminuam as vendas. Parabéns pelo blog.

Pobre esponja disse...

Não vejo não
Visite-me:
www.pobresponja.blogspot.com
www.pobresponja.blogspot.com
www.pobresponja.blogspot.com
www.pobresponja.blogspot.com

abç

Edilaine disse...

Mto maneiro seu blog,
vc está de parabéns e
escreve mto bem tbm!!!!

kikinhah disse...

Muito bom o texto, parabéns!!!
Sucesso sempre.
Me faça uma visita tbm...
BjOs^^

Viviane Righi disse...

Oi, Rafa...
Acompanhei e gostei da sua linha de raciocínio. E concordo com vc quando diz que acredita que os grandes jornais não serão "sepultados". A internet está aí, disponível para todos. Mas não podemos nos esquecer que muitas pessoas não gostam nem um pouco do mundo virtual, preferindo as formas tradicionais de leitura ao procurar informação, notícias, entretenimento e outros.

Abraços!

Rafa Floribela disse...

caraca que reflexão, isso brotou asim do nada?

Vera Lucia disse...

Super atual e moderno o assunto e como sempre a tua visão é muito brilhante..
A minha observação seria só de que eu acho que nãose deve acabar comos jornais impressos de maneira nenhuma ou pelo menos enquanto eu tiver sob a minha guarda 3 cães de medio porte.
Onde eles iriam fazer as suas necessidades diarias.

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