sm (lat idolu) 1 Estátua, figura, ou imagem que representa uma divindade e que é objeto de adoração. 2 Objeto de grande amor, ou de extraordinário respeito.

Em nossas vidas, sempre existem essas pessoas que nos encantam, fascinam e se tornam uma espécie de divindade, de exemplo, e de devido respeito.
Nos idos de 2002, ao começar um novo regime, me foi sugerido praticar tênis, esporte de movimentos rápidos e grande esforço, gastando assim muitas calorias por hora de treino. Mas foi um comentário em especial da nutricionista que me chamou atenção: “faça com Jurinha, que ele bota pra lá!”.
De início, não nego, pensei se tratar de uma mulher, como o nome sugeria... talvez se chamasse jurema, e carinhosamente fosse chamada de jurinha pelos amigos mais íntimos. Qual não foi a minha surpresa quando fui até a academia de tênis que levava o nome desta sumidade, quando bati à porta da direção e perguntei pela professora jurinha, no que de pronto me respondeu um rapaz aparentando 30, 35 anos de cabelos grandes, e sorriso aberto me dizendo que O professOR jurinha era ele, minha cara deve ter denunciado minha vergonha e ele comentou que o equívoco era comum. Passado o primeiro vexame, fomos pra uma aula experimental, que de pronto me identifiquei com o esporte.
Passei a fazer aulas duas vezes por semana, durante dois anos, até o fechamento da academia por motivos terceiros. Durante esse tempo, fui me interessando por tênis, e também por motociclismo, pois o dito professor possuía na época uma suzuki hayabusa 1300cc, linda, prata, lindíssima mesmo.
Com o fim da era Academia de Tênis Jurinha Lobão, raramente o encontrava, mas nas poucas vezes que o vi foram no Mário Motos, no CET(Centro de Excelência do Tênis), onde passei a treinar, e a última vez foi na orla de atalaia, por volta do meio do mês de abril de 2007.

Ora, mas se ídolos não morrem, o que era aquilo? Alguma coisa estava errada! Consegui encontrar meus amigos do tênis, no que de pronto foi confirmado: ele estava morto! Sai de lá com um sentimento estranho, de que o mundo do esporte em Aracaju estava perdendo um pedaço, que nós do tênis estávamos perdendo um tremendo ícone, e que nada poderia ser feito.
As 22 horas, cheguei ao velatório localizado na Rua Itaporanga, onde encontrei uma sala com uma urna escoltada por duas motocicletas, uma srad 1000 vinho e uma r1 preta, o corpo do ídolo com o boné da Suzuki posto em seu peito e uma raquete kinetic(marca que sempre usou por toda a vida) ao seus pés, mas o que mais me chamou atenção foi o fato do agora morto professor estar trajando bermuda! Pensei comigo: “nem nessa hora você usa uma calça sujeito!”.
No dia posterior, um cortejo escoltado por inúmeras motos foi motivo de atenção em todo o trajeto, pessoas paravam para olhar quem era aquele homem que trazia tantos saudosos amigos em seu último adeus, e ao chegar ao seu último refúgio, o som ensurdecedor dos escapamentos das motos gritavam a dor de todos os seus amigos, quando com um gesto pacífico de um dos motoqueiros, os motores cessaram, e deram lugar ao choro e às despedidas.
Mas... assim como sugere o título do texto, os ídolos tem uma relação diferente com seus fãs, eu prefiro acreditar que naquela tarde de terça feira de 2007, ele simplesmente resolveu pegar uma outra rodovia e foi curtir a eternidade em outras pistas, apostando desafios motociclísticos com outros ídolos, como Ayrton Senna(que faleceu também num 1º de maio), Daniela Klemenschits, Tony Rolt, etc...
