Qual a melhor forma de elucidar a verdade sobre a música universal? Assim como os alquimistas que encontraram a fórmula mágica para transformar ossos humanos em ouro, também existe a lenda de uma música, capaz de atingir de modo semelhante todas as pessoas do planeta Terra. Uma canção com poder de escravizar os pobres mortais, isso graças ao som puro e denso, uma maldição que condenaria a todos a repetir incansavelmente o seu refrão durante todo o sempre.
A maldição que envolve a obra percorre as veias de cada músico, a perfeição musical em meros três minutos. O sonho utópico tem alguns riscos, o feitiço pode se voltar contra o feiticeiro, aflorando a vaidade do artista e tornando-o escravo de sua própria maravilha, em seguida o levando ao enlouquecimento precoce.
A solução para esse fatídico enigma começou há alguns anos atrás, ao ser aventada a possibilidade de existir uma relação sincrônica entre o filme “O Mágico de Oz” de 1939 e o álbum “The Dark Side of The Moon”, da banda Pink Floyd, de 1973. Diz a história que as canções do CD casariam de forma perfeita com as cenas “do longa” estrelado por Judy Garland. A experiência pode ser comprovada por qualquer um, basta pausar o disco na primeira faixa, depois é só pôr o DVD do musical da Metro e esperar até o leão da MGM aparecer, quando rugir pela terceira vez, é só tocar o CD.
Vale ressaltar que a banda negou veementemente a idéia da sincronia. E mesmo com coincidência tão absurdamente precisa, há margem para uma indagação: por que a trupe mentiria? A conspiração é muito simples e ao contrário do que diz a mídia tacanha, Syd Barret – o fundador do Pink Floyd – não abandonou a carreira artística por enlouquecimento devido ao uso excessivo de drogas, mas sim pelos seus estudos em alquimia musical.
Especula-se que exista uma forte conspiração secreta entre os artistas. Uma espécie de seita ou maçonaria musical. O objetivo é muito claro, produzir a música perfeita. Mas antes de abordar esse assunto com maior ênfase, o leitor já deve estar se perguntando: e o Claudinho e Buchecha, em qual ponto se relacionam em toda essa história? Primeiro é imprescindível se traçar um histórico. Cláudio Rodrigues de Mattos – o Claudinho – começou a cantar com seu amigo, Claucirlei Jovêncio de Souza – o famoso Buchecha – quando ainda eram auxiliares de pedreiro, no subúrbio do Rio de Janeiro. A dupla Claudinho e Buchecha só surgiu oficialmente em 1992 e dizem as más línguas que eram os artistas mais desafinados de todo o cenário musical brasileiro e quem sabe até mundial.
Para o espanto dessas mesmas línguas, três anos mais tarde a dupla ganhava um festival com o “Rap do Salgueiro”, uma gravação patrocinada por um grupo de baile funk carioca. O passo seguinte foi conquistar as rádios, com o estouro do hit “Conquista”. O primeiro disco da dupla, intitulado “A Forma” (1997) alcançou a impressionante marca de um milhão de cópias vendidas, sem esquecer também o prêmio de revelação no VMB (Vídeo Music Brasil) da MTV.O sucesso de Claudinho e Buchecha estava garantido a prevalecer por muito tempo, até padecerem sob uma armadilha do destino. Na época que completaria 27 anos, Claudinho foi vítima de um acidente de carro, na Rodovia Presidente Dutra, em uma manhã de sábado no dia 13 de julho de 2002. Quando faleceu, o músico voltava de um show em Lorena (SP) para o Rio de Janeiro. Mas, mesmo com esse trágico fim, algo ainda não faz sentido. Como dois homens, aparentemente malucos, que dançavam do jeito mais esquisito possível e cantavam um refrão do calibre “sabe, tu-ru-ru-ru, tô louco pra tiver, oh iééésss”, conseguiram alcançar fama e o píncaro da glória no país? A não ser que estivessem em busca constante da canção perfeita, a Alquimia Musical.
Para comprovar basta notar o título do primeiro CD da dupla, “A Forma”. Ou seja, desde o início por traz daquele ritmo e das danças patéticas, eles tentavam moldar uma música com a excelência da perfeição, a dádiva que todo músico está em busca. O esforço teve suas próprias recompensas, o sucesso, fazendo com que não haja dúvidas de que estavam no caminho certo. Dessa forma, torna-se fácil especular que Claudinho, durante um momento de inspiração divina, descobriu o que era almejado por todos os artistas: a música perfeita. Daí logo se viu a cantarolar a melodia como um louco, porém, justo quando guiava seu carro. Sua inspiração não havia lhe garantido o antídoto para quebrar o feitiço, então a magia da música o dominou por completo, era impossível parar de repetir o refrão ou assoviar a canção.
Sem condições de absorver de uma vez só todo o conhecimento do mundo por completo, Claudinho acabou enlouquecendo. O destino já estava traçado, logo foi sugada toda a vida que existia dentro dele, causando a perda absolutamente do controle do carro e fazendo-o guiar para a escuridão nessa morte trágica. Inclusive a hipótese de suicídio não pode ser descartada, a última cartada para tentar fugir do pior. De qualquer modo, o segredo de Claudinho morreu com ele, estando agora perdido em algum canto escuro do infinito. A busca pela música universal continua, basta saber quem será sua próxima vítima...

































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