9 de junho de 2009

A vontade do amigo continua


Gotas provocadas pela forte chuva caíam ao chão formando uma grande poça d’água. A iluminação no local era precária, as paredes encontravam-se umedecidas, por causa da chuva e do frio. Em seu interior, podíamos ouvir o barulho de gotas caindo sobre o telhado, chegava a incomodar por não ter laje; ficávamos a ouvir o barulho, aquela altura horrendo e sombrio. Além da chuvarada, podíamos perceber o som de folhas de árvores mexendo, devido ao contato direto com o vento.

Uma paisagem aterrorizante, parece até o palco de um crime, onde descrevemos cenas de um assassinato brutal, um descaso, para sermos mais exato, não é nada disso! Estava ali junto a meu irmão, febril, fraco. As estradas encontravam-se bloqueadas, além do mais não tínhamos carro, até porque o possante atolaria durante o percurso. Gostaria de telefonar, chamar uma ambulância, impossível! Não possuíamos telefone, também naquela altura a tempestade o teria deixado mudo.


A situação de meu irmão caía em profunda decadência. A cada suspiro, a impressão da morte se aproximando. Pensei em sair, enfrentar o temporal a unhas e dentes, ir atrás de ajuda. Nesse momento o “pobrezinho” deveria estar com uns 40° de febre. Ele hesitou quanto à minha partida, alegando ser inútil, gostaria de morrer ao meu lado, tive de respeitar seu último desejo.

E assim ele partiu, feliz, sem decepções com a vida, tão novo o coitado! Tantos sonhos a serem realizados, etapas a serem vencidas. Como podia estar tão feliz e sorridente? Gostaria de poder substitui-lo, a morte deveria me levar primeiro. Nem imagino qual o maior dilema: Sua morte? Minha consciência em ser um total inútil, por nada poder fazer para ajudá-lo? Desconheço a resposta. Meu consolo é que nessas horas nunca existem culpados, as coisas "ocorrem por terem de acontecer".


Meu irmão era poeta, de mão cheia, o melhor que já vi. Lembro quando nosso pai, dizia e muito repetia: “Esse moleque tem talento”. Foi assim durante muitas tardes. Vou provar, ele não se enganou, darei desfecho a seu trabalho, todos o conhecerão. É o que já deveria ter feito há tempos e infelizmente é tudo o que posso fazer. Os bons morrem jovens, nenhum problema, vivem tempo suficiente para sagrarem-se eternos, assim como outros que se foram. Com isso ele será imortal perante todos e principalmente para mim. Vá com os anjos e em paz, porque aqui, a vontade do amigo continua.

5 Coveiros:

Breno Bastos disse...

Esse conto me fez lembrar de meu tempo quando morava no campo.

Pobre Esponja disse...

Parabéns pelo blog

abç
Pobre esponja

Cynthia disse...

"nunca existem culpados, as coisas ocorrem por terem de acontecer."
Pensar assim é a melhor opção.

;)

Anônimo disse...

De grão em grão a galinha enche o papo e de conto em conto o Rafa vai fazendo com que viajemos neste universo de divagações. Estou esperando o próximo conto....

Willier N. disse...

Oii, tudo bom?
Passei pra te avisar que tem uma penca de selos pra vc lá no meu blog.

Tá na parte do "PALAVRAS DO AUTOR" não esquece.

Beijos, =*

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http://cereja-capuccino.blogspot.com/


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Vou voltar aqui mais vezes, e ler seus textos. Nem sei se tu curte esses lances de selos, mas enfim. Tá lá.
Abraço.

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