6 de fevereiro de 2011

Cuidado, Moçada! É a Hora do Terror... Uhuhuuuu...

Sabe aquele filme que nos remete a nostalgia, quase sempre acompanhado por uma pitada de lamento?

A Hora do Terror (The Midnight Hour), de 1985, foi um dos poucos longas a assumir essa condição. Dirigido por Jack Bender (Lost e Família Soprano), o filme, exibido à exaustão pelo SBT na década de 90, no Cinema em Casa, mais que uma surpresa, foi uma alegria. Durante muitas tardes, em companhia de amigos, nós nos aglomerávamos em frente a teve, uma cena que se repetiu por inúmeras vezes.A trama era simples, embora, interessante. Um grupo de jovens se reúne em pleno dia das bruxas e a intenção: roubar um antigo baú para, simplesmente, reviver os mortos. O que eles não sabiam, estavam liberando criaturas malignas, dispostas a dizimar tudo em virtude do seu desejo de vingança. A cidade, agora acometida pelo caos, era uma profusão de mortos, que se erguiam preparados para celebrar o dia das bruxas de uma maneira singular.A contextura, além de simplória, parece pouco – ou nada - verossímil. Na maioria das vezes, embora não se caracterize como via de regra, produções desse quilate, que emanam o cheiro de infância, passam distante de se destacar como primor estético em termos técnicos, ou até mesmo no quesito textual.

Essas limitações até podem comprometer o produto final, certo mesmo, é que A Hora do Terror se transforma num fenômeno difícil de ser abalizado. Começando pelo poder de estabelecer particularidades, peculiar talvez, pelo modo que corresponde à vida de cada expectador, retratando momentos há tempos esquecidos, fazendo uma ponte entre estações, num paralelo enfoque com as agruras de outrora. Em outras palavras, um choque individualmente geracional.Não se pode deixar que o valor de uma segmentação artística, esteja atrelado apenas à jornada adolescente de seus espectadores, embora essa seja uma atenuante. Ainda que a qualidade seja discutível, existe sim uma magia, envolta nas produções de baixo investimento. Já perdi as contas de quantas vezes assisti e re-assisti, até cheguei a gravar numa fita VHS, sem falar, num passado recente, nas muitas noites que me dediquei a caçá-lo incessantemente pela net. Não importa o quanto digam que é tosco, para mim, será sempre brilhante, genial, um dos melhores, por todo clima cômico, sempre acompanhado por uma pitada de medo, garantido por uma belíssima trilha sonora, que além de proporcionar o ar de suspense, garante o cenário de iminente nostalgia.

Portanto, vale a pena cada minuto dessa produção, além da minuciosidade do conjunto da obra, é um filme que não sai da cabeça nunca! Portanto, pensem bem se vão ingressar nessa nova desventura, porque como previne o locutor logo no início do filme, Cuidado, Moçada! É a Hora do Terror... Uhuhuuuu...

E para a coveirada que chegou até aqui, é a hora dos presentes, primeiro confira alguns trechos do filme:












Mais os presentes não acabam por aí, Clique Aqui para download da belíssima trilha sonora.

E a oferenda maior, Clique Aqui para fazer o download de A Hora do Terror.

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A ‘demolcracia’ numa fila de cartório

Por: Thiago de Brito Varjão*

Debates políticos, denúncias de corrupção, navalha, sanguessuga, cueca com dólar, mensalão, desvio de verbas, quebra de sigilo fiscal, aborto, privatizações e dentro de todo este processo ‘político’ estava o rezoneamento.

Último dia para o rezoneamento eleitoral, que servia apenas para dizer se o cidadão queria ou não mudar a seção onde vota. Nove e meia da manhã. Já em frente ao cartório depara-se com uma fila de uns cem metros. Era uma fila para se entrar em outra fila, afinal brasileiro é um bicho curioso tem uma paixão especial por filas. É fila para ir ao estádio ver o time decadente da cidade perder, é fila para ir ao cinema, para ir ao teatro, para ir ao banco pagar a conta de água vencida, para ir ao dentista e também a fila para se entrar em outra fila do cartório para se cadastrar no rezoneamento. Haja fila (mais uma vez me deparo caro amigo com estas benditas repetições inebriante, não as leve em conta).

Aquele sol escaldante batia nas cucas dos pobres romeiros, cuja religião e penitência era o rezoneamento, devia estar fazendo uns trinta e cinco graus à sombra. Pobres nauseabundos gemiam diante da força implacável de Aton. Quarenta minutos depois pega-se uma parte da marquise na sombra, eis que chega uma figura franzina mais ou menos um metro e sessenta, rosto largo, mas o resto do corpo era fino feito aquele personagem do desenho do marinheiro Popeye, a Olívia Palito, sandália de dedo quebrada presa por um prego na parte inferior e ombros tendo como penduricalho uma mochila. Dez minutos, vinte, trinta e a bendita fila não andava, o sujeitinho começa a balbuciar algumas palavras. Mais dez minutos e a paciência do indivíduo chega ao fim, e ele começa a falar, falar e falar. Sua oratória juntava o público que estava ao seu redor, umas três ou quatro pessoas. Foi aí que percebeu-se sua importância, pois tratava-se do cientista político de filas e neste caso da fila de cartório de rezoneamento, com um discurso afiado falando sempre mal de tudo. Berrou:

– Isso é um abuso! Somos obrigados a votar, a pagar uma ruma de imposto, e não temos nada de volta, é uma violência. Ainda dizem que a gente ‘veve’ numa ‘demolcracia’.

Aquele homem tinha o dom da oratória, falava tanto quanto um padre em dia de quermesse. Cada vez mais pessoas chegavam perto dele, o seu clã já continha onze ou doze pessoas, todos discutindo e reclamando da política, da polícia, do preço da passagem, do preço do gás de cozinha, do preço da carne que está pela hora da morte e também da fila do rezoneamento que estava empacada feito burro manso. Ele apresenta-se, João é seu nome.

João, este cientista político popular de rezoneamento discutia também sobre economia, falava de quantas cervejas dava para comprar com seu salário, filosofias de boteco de esquina e entre outras anedotas. João destacava-se entre os participantes daquela peregrinação, observava os outros personagens da fila, tais como o Mané Gostoso com seu cabelo penteado para cima, camisa regata mostrando seus ossos e pelancas e com um walkman em um volume tão alto que dava para ouvir “No toca-fita do meu carro uma canção me faz lembrar você” do cantor brega-popular Bartô Galeno. Mas de todos os participantes quem mais incomodava João era um guri gritalhão filho de uma perua de estatura mediana, tipo um metro e cinqüenta, saia longa azul, sapato bico fino e um cabelo cor acaju moldado em uma chapinha. Outros coadjuvantes juntavam-se a peça e diziam amém às profecias do João.

“Tudo é culpa do povo brasileiro”, disse ele. O brasileiro deveria ser um objeto de estudo sério dos Sociólogos e Antropólogos, pois tudo sempre cai em suas costas fracas, não que Darcy Ribeiro, Roberto Damatta, Gilberto Freyre, entre outros já não tenha o feito, mas estou falando em um estudo numa ótica popular, menos academicista (caro leitor os neologismos aplicados nesse texto ajudam na falta de léxico apropriado). O povo brasileiro é como um grupo de pessoas ao qual João não participava, ele estava à margem do processo. Se temos políticos corruptos é culpa do povo, se o salário é baixo é culpa do povo. Mensalão, navalha, sanguessuga, dinheiro na cueca, privatizações? Culpa do povo! Se o feijão queimou também é culpa do povo que colocou olho gordo na fartura dos outros, se o vizinho é impotente é culpa do povo invejoso e das vizinhas macumbeiras que puseram feitiço no Tião para tirar a alegria da face de sua digníssima esposa, e por fim se temos filas para rezoneamento é culpa do povo.

– Olha a água mineral, a cervejinha e o suco de ‘acelora’, gritava o trabalhador informal.

Outra característica do povo brasileiro é de sempre ter um ambulante com um isopor vendendo coisas, é no campo de futebol, na fila do cartório, até na visita do papa ao Brasil (enquanto se dizia amém entornava-se a gelada, aleluia!) se via ao longe aquele isoporzinho branco repleto de cervejas geladas desfilando para cima e para baixo. A fila finalmente se movimenta em um espetáculo de pernas se movendo da esquerda para a direita, como em uma Milonga que até Carlos Gardel ficaria invejando. Sala dos guichês. Ar condicionado. Cadeiras de espuma. Mas esse paraíso cai por terra, quando os números são distribuídos. Número cem marcava o guichê, número cento e setenta marcava o papelzinho de João. Aquele Jardim do Édem com condicionadores de ar não suportava aquele batalhão de gente. Um guarda diz:

– Bem, pessoal, vamos organizar aqui. Vamos para outra sala, porque esta aqui tá lotada.

Aquele bailado de pernas antes conduzido pelo tango de Gardel, agora se transforma em um final de festa de arrocha regado com muita cachaça barata. João perdia seus companheiros de debate, deviam estar cansados depois de tantas danças.
Dez minutos, vinte, trinta, número cento e cinqüenta. Chá de cadeira e dor nas pernas. João ainda falava sobre ‘demolcracia’ para uma platéia de cadeiras vazias e atendentes mal encaradas.

Número cento e setenta. O cientista político levanta-se e vai se rezonear. Decide continuar votando na mesma seção do seu bairro. Pronto, seu papel como cidadão presente nos processos políticos e eleitorais estava cumprido, responder apenas ao velho SIM ou NÃO.

Bate meio-dia, hora sagrada nesta terra tupiniquim onde a fila é uma religião. Rezoneamento não serve para nada ou seria mais uma equação filosófica complexa de ser resolvida? Discussões à parte, a ‘demolcracia’, o isopor ambulante e o povo continuam seus trajetos pelas veredas da vida.

Feliz. Cumpria seu papel integral como cidadão presente nos assuntos políticos do seu país, sim seu papel como cidadão presente nos processos democráticos estava cumprido, agora era votar no menos pior, escolher entre Astrojôncio da Silva Lero-lero que prometia aumento do salário no início do ano, além de criar o programa Bolsa Idoso, ou votar em Chiquita Lesco-lesco que prometia a continuidade do que já estava implantado no país.

A saga do rezoneamento termina e João se mistura em meio à multidão.

*Jornalista, estudante de letras e um bom amigo

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15 de janeiro de 2011

Horror, horror e mais horror

Quase 600 covas foram cavadas até agora para abrigar os mortos da tragédia na Região Serrana do RJ.

Quando penso nisso, de cara surgem algumas constatações. A primeira é que a natureza pode realmente ser muito cruel. E a segunda dialoga com a bela forma de começar o ano, porque se isso for apenas um prenúncio, estamos mesmos é...

No entanto, é bem simples para mim, acerca dos fatos, banhar-me nas águas do ceticismo, afinal, não sou eu quem está soterrado, tendo o infortúnio de ter sido enterrado vivo. Essas pessoas realmente existiram, não são meramente números ilustrativos, elementos de algum dado estatístico qualquer. E mais do que isso, os desafortunados podiam ser os nossos pais, irmãos, namorada, avós... ou qualquer outro ente querido.

Muita calma nessa hora, isso é o que diriam os mais experientes. Até porque, esse tipo de evento sempre desperta a dor, além de estimular momentos de reflexão. Pena que é utopia, imaginar que tal reflexão, poderia incidir no íntimo das autoridades competentes, evitando que outras pessoas, aquelas ainda vivas, sejam dizimadas por um mal semelhante, condenadas a iminente missão de preencher as próximas covas, nos próximos desastres.

Difícil saber o que esperar desses governantes, incapazes sequer de assumirem as suas responsabilidades. Parece até má vontade, é bem verdade, virou moda sim culpar os políticos por toda e qualquer mazela do mundo, embora impossível ignorar, a habilidade incomum que no Brasil demonstram de se destacar apenas pela incompetência aliada à completa estupidez.

Estupidez pela pura e simples incompetência de eleger prioridades diretas, sem falar no poder de equívoco diante das situações mais básicas, como planejamento e prevenção. E isso para não pensar em descaso governamental e outras ideias afins.

Certo é que a contagem de corpos contínua. E a cada encontrado, surge à cabeça um emaranhado de indagações diferentes. Quantos deles terão votado e ajudado a eleger essa gente? Cabral, Alckmin, Dilma... Será que precisamos mesmo de vocês? E a pátria amada, verde amarela, até que ponto avançou durante os oito anos daquele “grande estadista” que até recebeu por parte de alguns, a inédita alcunha de melhor presidente da história?

Anseio deter todas as respostas, portanto me dou o direito de me preservar entre mil filosofias. Restrito a padecer também desse luto, compartilhando o insossego, que talvez não seja eterno, mas que irá durar por muito tempo. Eram pessoas, homens e mulheres, brasileiros que só não perderam algo maior do que a vida, por coisas da vida, e a razão, simplesmente, nenhuma!

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9 de janeiro de 2011

A música do amanhã, essa noite!

Sabe quando você está loucamente à procura de alguma coisa e, pra variar, acaba encontrando outra?

Na web, essa situação – inusitada – é no mínimo bastante frequente. Dias desses, estava caçando a trilha sonora de um filme que acabara de assistir. Entre tantas opções, o site de busca listou alguns vídeos. A despeito do resultado não ter qualquer relação com o objeto inicial de pesquisa, um deles despertou minha atenção logo de cara, pelo título e principalmente pelo vestuário do artista na imagem de exibição. Não demorou a, motivado pela curiosidade, acabar acessando o vídeo. O resto, é passível presumir, acabei me encantando com a maravilhosa sonância que, como num passe de mágicas, pousou em meus ouvidos.

Na qualidade de um bom coveiro, fiz questão de sepultar a canção aqui entre os mortos do meu Cemitério. Como vida de falecido é sempre meio sem graça, aquele papinho chato de descanse eternamente, uma melodia nova não há de fazer mal a ninguém. Mas antes, algumas informações básicas: quem assina o título é Michael Harrison Sweet, ou simplesmente Michael Sweet. O cantor e compositor estadunidense, conhecido pela grande influência cristã em seus trabalhos, praticamente começou sua carreira aos cinco anos de idade, quando ainda arriscava os primeiros passos no violão. A vocação para música ficava mais forte, anos mais tarde quando também se interessou pelo canto. A empreitada acabou dando certo, posteriormente Michael além de dominar vários instrumentos, tornou-se líder da Stryper, banda formada em parceria com seu irmão no início dos anos 80.

Após mais de uma década a frente do grupo, Michael Sweet resolveu interagir com novos projetos, agora em carreira solo. A primeira mostra foi um álbum homônimo, talvez o de maior sucesso, que se deve não apenas pelo conjunto da obra e sim pela faixa “Tomorrow, Tonight”. O CD como um todo é deveras atrativo, um dos melhores discos solos em um aspecto geral, embora, essa canção seja – realmente – especial, linda, formidável e capaz até de ofuscar a beleza das demais.

"Tomorrow, Tonight" figura seguramente entre as minhas favoritas, uma balada que não deve nada a grandes clássicos do rock, um verdadeiro hino de amor. Abordá-la denota verdadeira satisfação, além de um punhado de adoração também, pelo prazer incomensurável de ouvi-lo a cantarolar a poesia, em conjunto ao poder incontido dos vocais, fazendo ecoar sentimento. O endereço de destino é sempre certo, alojar-se na alma e coração dos ouvintes.

Portanto, basta dar o play pelo youtube, acompanhar a letra e a tradução e quem sabe fazer download pelo link do 4shared e poder guardar para sempre. Porque como sugere o refrão, “Can we dream about tomorrow, tonight”, podemos sonhar com a poesia do amanhã, ainda esta noite.



Michael Sweet - Tomorrow, Tonight

Lyin' here by your side, the silence
Speaks to me
I've got no where to hide
Except in your misery
I've said i love you before, i said i love you,
But i've never showed you
Baby i'm sorry once more, for what i've
Put you through

Can we dream about tomorrow, tonight,
Oh baby
And we'll dream that everything's gonna
Be alright

I've got a thousand prayers, each one is
For you and i
Lord knows i really care for you baby, i
Would live and die for you
I know i've hurt you before, i know i've
Hurt you, now i wanna heal you
Baby i'm sorry once more, for what i've
Put you through

Repeat chorus

I know you've cried many rivers,
And you've cried your oceans too
If i'm the reason we've withered, let me
Bring back the water and sun
So our love can bloom

======Tradução======

O amanha, hoje a noite

Deitado aqui por seu lado, o silêncio fala comigo
Não tenho lugar para esconder
Exceto em seu sofrimento
Eu te disse que te amava antes, eu disse que te amava
Mas eu nunca mostrei-o
Garota, eu estou arrependido mais uma vez
Pelo que fiz

Podemos sonhar com o amanha, hoje a noite,
Oh garota
E nós vamos sonhar que tudo vai estar bem

Eu tenho mil orações,
Cada uma é para você e eu
"O senhor" sabe que eu realmente me importo contigo
Viveria e Morreria por você
Sei que te machuquei antes,
Agora quero te curar
Garota, peço desculpas mais uma vez,
Pelo que fiz e pelo que fiz você passar

Sei que você chorou muito rios
E que você também chorou oceanos
Se eu sou a razão que agente murchou, deixe-me trazer a água e o sol
Para que o nosso amor volte a florescer mais uma vez

Clique aqui para baixar o mp3 da música

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Verso e osreveR

Verso e osreveR

Quando penso em nós dois
Nada faz mais sentido
siod sòn me osnep odnauQ
oditnes siam zaf adaN


Só te peço que me perdoe
Por toda essa agonia de te amar
eodrep em euq oçep òs
rama et ed ainoga asse adot roP

I love you -) uoy evol I
on I evol uoY

E você não ama ninguém
mèugnin ama oãn êcov E

Não sei o que penso -) osnep euq o ies oãN
Tão pouco o que sinto
otnis euq o ocuop oãT
Sequer o que escrevo
overcse euq o reuqeS
Mas, nesse poema
etnetopino uos

Gostaria de escrever que TU me amas
sama em ut euq rezid ed airatsoG
Mudando para 2° pessoa
aossep °2 arap odnaduM
Porque já disse que aqui eu posso tudo -) ossop odut iuqa euq essid àj euqroP
Menos fazer você gostar de mim
ue ed ratsog ut rezaf soneM

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7 de janeiro de 2011

Ídolos e nós

Í.do.lo
sm (lat idolu) 1 Estátua, figura, ou imagem que representa uma divindade e que é objeto de adoração. 2 Objeto de grande amor, ou de extraordinário respeito.
* Por Fabrício Almeida

Em nossas vidas, sempre existem essas pessoas que nos encantam, fascinam e se tornam uma espécie de divindade, de exemplo, e de devido respeito.

Nos idos de 2002, ao começar um novo regime, me foi sugerido praticar tênis, esporte de movimentos rápidos e grande esforço, gastando assim muitas calorias por hora de treino. Mas foi um comentário em especial da nutricionista que me chamou atenção: “faça com Jurinha, que ele bota pra lá!”.

De início, não nego, pensei se tratar de uma mulher, como o nome sugeria... talvez se chamasse jurema, e carinhosamente fosse chamada de jurinha pelos amigos mais íntimos. Qual não foi a minha surpresa quando fui até a academia de tênis que levava o nome desta sumidade, quando bati à porta da direção e perguntei pela professora jurinha, no que de pronto me respondeu um rapaz aparentando 30, 35 anos de cabelos grandes, e sorriso aberto me dizendo que O professOR jurinha era ele, minha cara deve ter denunciado minha vergonha e ele comentou que o equívoco era comum. Passado o primeiro vexame, fomos pra uma aula experimental, que de pronto me identifiquei com o esporte.

Passei a fazer aulas duas vezes por semana, durante dois anos, até o fechamento da academia por motivos terceiros. Durante esse tempo, fui me interessando por tênis, e também por motociclismo, pois o dito professor possuía na época uma suzuki hayabusa 1300cc, linda, prata, lindíssima mesmo.

Com o fim da era Academia de Tênis Jurinha Lobão, raramente o encontrava, mas nas poucas vezes que o vi foram no Mário Motos, no CET(Centro de Excelência do Tênis), onde passei a treinar, e a última vez foi na orla de atalaia, por volta do meio do mês de abril de 2007.Estava com dificuldades na disciplina de direito penal 2 e resolvi ter aulas de reforço aos fins de semana e feriados, no dia 1º de maio de 2007 ao chegar da aula, notei a fisionomia de minha genitora um tanto séria, jantei normalmente, fui tomar meu banho e ao me dirigir ao quarto de estudos ela me seguiu, perguntei o que estava acontecendo, o porquê da sua fisionomia séria, ela me falou pausadamente: “Você gostava muito de jogar com Jurinha né?” eu gelei, repeti a frase dizendo que GOSTO de jogar com ele, ela com mais calma ainda me explicou que havia acontecido um acidente motociclístico e que infelizmente a vida do famoso teacher havia sido ceifada. Corri pro IML onde na porta já estavam estacionadas dezenas de motocicletas de alta cilindrada, confirmando o inevitável: a morte de um ídolo.

Ora, mas se ídolos não morrem, o que era aquilo? Alguma coisa estava errada! Consegui encontrar meus amigos do tênis, no que de pronto foi confirmado: ele estava morto! Sai de lá com um sentimento estranho, de que o mundo do esporte em Aracaju estava perdendo um pedaço, que nós do tênis estávamos perdendo um tremendo ícone, e que nada poderia ser feito.

As 22 horas, cheguei ao velatório localizado na Rua Itaporanga, onde encontrei uma sala com uma urna escoltada por duas motocicletas, uma srad 1000 vinho e uma r1 preta, o corpo do ídolo com o boné da Suzuki posto em seu peito e uma raquete kinetic(marca que sempre usou por toda a vida) ao seus pés, mas o que mais me chamou atenção foi o fato do agora morto professor estar trajando bermuda! Pensei comigo: “nem nessa hora você usa uma calça sujeito!”.

No dia posterior, um cortejo escoltado por inúmeras motos foi motivo de atenção em todo o trajeto, pessoas paravam para olhar quem era aquele homem que trazia tantos saudosos amigos em seu último adeus, e ao chegar ao seu último refúgio, o som ensurdecedor dos escapamentos das motos gritavam a dor de todos os seus amigos, quando com um gesto pacífico de um dos motoqueiros, os motores cessaram, e deram lugar ao choro e às despedidas.

Mas... assim como sugere o título do texto, os ídolos tem uma relação diferente com seus fãs, eu prefiro acreditar que naquela tarde de terça feira de 2007, ele simplesmente resolveu pegar uma outra rodovia e foi curtir a eternidade em outras pistas, apostando desafios motociclísticos com outros ídolos, como Ayrton Senna(que faleceu também num 1º de maio), Daniela Klemenschits, Tony Rolt, etc...

* Fabrício Almeida foi um colaborador especial nessa atualização do Cemitério

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5 de janeiro de 2011

A maldição do amor: a outra face da lógica

Sempre acreditei que todo lugar sujo tem o seu encanto natural, assim como todo relacionamento sórdido também exibe alguma espécie de charme, como um murmúrio, pouco encantador, mas, com o poder de ostentar um punhado de particularidades, mesmo abstratas, simplórias e singularizadas. Porém, às vezes, impossível ludibriar a paixão, mesmo nos debatendo, esse demônio, um dia tem de florescer, até pela pessoa errada. O cenário agora está aberto para conflitos vigentes de um amor que nunca se fez e nunca termina. Começa por uma vontade insaciável de amar, no âmbito de uma inusitada desventura, perpetrando um sentimento incógnito. O peso do seu corpo pesando contra (sobre) o meu, tortuosa profusão de carícias e afagos, beija eu, implorava ainda mais, enquanto a cada segundo se excedia mais em meus ósculos. Em meio a tantos amplexos, instaurava-se o desejo que deflagrava em nós!

E no ato final, desse doloroso teatrinho barato, um (im)perfeito jogo de cena, protagonizado por nós, meras figuras patéticas. Também no íntimo silêncio, como um véu que cai, ela me faz ver o céu com a candura do tormento, porque podíamos, quantas vezes quiséssemos, sonhar com o amanhã ainda naquela noite. Mas, tanto amor e ira, enfim não foi bastante para evitar, ah sim o fim, era ele que nos descobriu. E terminou, na triste sina desse amor, que enflorou mais nas garras da consternação do que nas branduras da fortuna. E depois de um mísero único adeus, ultimou, pena só não... Pena também da certeza de que deve existir realmente, alguma outra coisa por traz do puro ódio e de todo sentimento de rancor e vingança!

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