14 de julho de 2009

Falsos Amigos III

Segundo desdobramento do texto Falso Amigo e Falso Amigo II

Com a recente morte de sua mãe, a vida se tornou difícil para Issinho. Seu pai, ele jamais conheceu; parentes nunca soube de nenhum. Sempre fora ele e sua mãe e agora que esta o deixou, estava sozinho no mundo, tendo ele tão somente a si próprio.

Mandado para um orfanato, Issinho tinha as piores amizades. Tais influências lhe fizeram inverter todos os valores anteriormente ensinados por sua mãe pois, completara há pouco doze anos e assim não possuía noção definida quanto ao certo ou o errado, sendo impossível definir um caminho a seguir.

Numa noite remexendo os pertences que foram de sua mãe, descobre uma carta de seu pai endereçada a ela antes de seu nascimento. Lendo a correspondência, o garoto descobriu segredos nunca revelados pela falecida. Seu pai mantinha a função de cônego e fundara em sua paróquia um orfanato o qual atendia às crianças carentes e órfãs.

No dia seguinte, o jovem remeteu uma carta ao padre Otacílio. Lógico, sem identificar-se como seu filho. Apenas ressaltava seu descontentamento com as instalações do orfanato que o acolheu. Não poupou também elogios ao asilo de órfãos fundado pelo padre e no término da carta pediu encarecidamente por uma transferência de orfanato.

Comovido com a correspondência do garoto, o padre em poucos dias levou Issinho para as sagradas instalações de seu orfanato. Mesmo com os parecidos traços que o jovem herdara de seu pai, nada o padre percebeu. Seu filho agora poderia bolar sua vingança. Desde quando descobriu a existência de seu pai, a ele atribuía toda culpa das desgraças de sua vida, faltava somente decidir a forma adotada para concretizar a vingança.

Com uma semana de estadia no novo orfanato, Issinho definira o plano de vingança. Sabendo através de colegas do asilo que o cálice da igreja possuía um valor inestimável, o jovem decidiu roubá-lo. Com o objeto em seu poder, não sofreria de problemas financeiros por muito tempo, seu pai jamais viesse saber, o motivo pelo qual, aparentemente, um jovem que ele estendera a mão usou de atitude tão covarde para prejudicá-lo.

A concretização de seu plano demoraria mais algum tempo. Sua presença no orfanato era ainda bastante recente e assim, por não contar com a confiança do padre e dos colegas, optou por executar seu plano quando estivesse vivendo há algum tempo no novo lar. Essa precaução evitaria qualquer falha imprevista, fazendo-o ser desmascarado.

Issinho deixava transparecer certa arrogância perante seus colegas. Por isso eles se mantinham distantes do garoto. Apenas João não o ignorava, a cada dia a amizade entre os dois se tornava mais sólida, sendo o bastante para não lhe causar incômodo o desprezo dos outros colegas.
Fora esses pequenos problemas, gozava de uma paz de espírito muito forte naquele lar. Sem que percebesse, sua vingança vinha ficando de lado, porque a vida já não lhe transparecia ter sido tão injusta. Seu pai também não aparentava ser o monstro o qual ele enxergava nos primeiros dias e assim ia levando os dias sem maiores problemas.

Após alguns meses, o jovem viveu seu maior conflito. O garoto se deu conta de sua mudança em todos aqueles meses. Não conseguia admitir, mas o orfanato parecia ser um bom lugar para viver, o dinheiro anteriormente tão básico para a felicidade estava sendo esquecido, o garoto não podia achar uma resposta!

Sofrendo dos mais dolorosos martírios, Issinho sentia que uma decisão teria de ser tomada. Resolveu concretizar sua vingança. Acreditava que com o cálice nas mãos e gozando dos benefícios os quais ele lhe traria, jamais sofreria qualquer tipo de remorso.

O cálice seria roubado naquela noite. Não poderia correr o risco de adiar o roubo e por fim acabar não cometendo o crime. Enquanto a noite caía no orfanato, pôs no bolso um canivete dado por um amigo do antigo orfanato. Apanhou toda sua economia feita naqueles meses, ela serviria para pagar um transporte com destino ao município mais próximo aonde iria se desfazer do cálice por um bom preço. Apanhou por último um largo corte de pano para embrulhar o objeto e não chamar atenção.

O jovem deixou o quarto caminhando lentamente para não despertar os colegas que consigo ocupavam aqueles aposentos. Ainda devagar, percorreu todo o corredor que dava acesso à igreja.
Como o cálice era trancafiado no interior de uma caixa de ferro parafusada por detrás do altar, Issinho com um pedaço de arame abriu o cadeado. Tinha agora o objeto em suas mãos. Indo em direção ao muro para pulá-lo e abandonar os arredores da igreja, o jovem interrompeu seu movimento por ouvir uma voz a chamar pelo seu nome em suas costas, virou-se amedrontado, era seu amigo João.

João perguntou o motivo pelo qual estava acordado e rondando as instalações da igreja. Ele não respondeu, o objeto em suas mãos denunciaria a verdadeira atitude. Da forma esperada pelo jovem, João entendeu o caso. Usou fortes argumentos para convencer o amigo do contrário e abandonar a criminosa intenção.

Os conselhos do amigo foram inúteis, Issinho se mantinha irredutível, sobrou só uma saída. João correu para cima do amigo, começando assim o confronto. Com o choque entre os dois corpos o cálice fora jogado para longe. O medo de que o barulho despertasse o padre e os colegas, fez com que pegasse o canivete do bolso. Tentava a todo custo perfurar o corpo de João.

Por descuido, Issinho acabou sendo ferido pela sua própria arma no instante em que tentava ferir o oponente. O golpe foi tão forte que ele perdeu os sentidos.

Passados alguns minutos, o jovem voltou a si. Ao abrir os olhos, teve um impulso negativo, assustando-se ao ver o padre e os demais colegas de grupo ao seu redor. Todos queriam uma explicação quanto ao ocorrido. Após ficar algum tempo em silêncio, Issinho notou que João não se encontrava entre eles, por isso ressaltou todos os detalhes do duelo apenas revertendo as ações.

Ainda hoje acredita-se, no orfanato, que Issinho é um herói e salvou com coragem o cálice da igreja.

17 Coveiros:

Tiago Dadazio disse...

AURORA BOREAL!

PanPum Flûor disse...

caralho, é muito foda D:
isso é baseado em alguma coisa ?

D:

eu odeia essa foto do filme o orfanato :X

Rafa flori disse...

Lindo texto anjo meu!

lara veiga disse...

finalmente li os tres! Depois posta os tres juntos rafa

Allerson disse...

Infelismente eu não acompanho este blog mesmo lento o texto não compreendo xD Não gostei do estilo Difunto do blog!

www.allersonblogger.blogspot.com

Graziano Costa disse...

Eis então, quem diante do real, não se escandaliza mais com nada.

Perde-se a noção do certo e do errado quem se esquece da noção do eu.

Continue a divagar.
Não serão devaneios tolos.

Visite o meu e poste um comentário:
www.speculacoes.blogspot.com

Amplexo.

A.C Once Caldas - SM disse...

é baseado em algo real ? [2]

muito foda meu :D

Anônimo disse...

caraaaai

Raul disse...

poderia virar um filme

Carol Pereira disse...

Issinho eh um safado >s

grazy dos santos. disse...

esse Issinho tá muito rebeldezinho sem causa..

;*

ELTON M@X disse...

Showw

disse...

Bom texto

Gabi Cabral disse...

Brigada pela visita lá no blog! Volte sempre!!

Gsotei do texto, mas como não li os outros não entendi muita coisa!
Parabéns pelo blog.
beijo

www.tamobem.blogspot.com

Lucas Alsil disse...

li os dois seguidos, ficou muito bom cara ;)
abraço o/

BobbaVip' disse...

esses lances de falsos amigos da vontade de matar mermul cara, a gente confia & os cara lhe trai,' ai é fooda >:(

belo post :D~ OBS: tem uma igreja aqui na cidade (Macaé) igual essadaê do post

Elton JG disse...

parabéns pelo blog

Essa parada de falsos amigos é um negocio sério
! já sofri muito com isso!

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