10 de julho de 2009

Falso Amigo

A arquitetura era encantadora, belos lustres iluminavam o salão, imagens, castiçais e vitrais que estampavam a via crucis, davam à catedral uma característica barroca. Esse antro sagrado, que na maioria das vezes se praticava a fé ou pregava os ensinamentos de Cristo, era palco de luta entre dois de meus colegas de orfanato.

Escondido próximo ao altar, tentava compreender o motivo da disputa. Difícil, pois eles apenas brigavam e as poucas palavras que diziam, tinha dificuldade em compreender. Assim, não havia qualquer coisa que pudesse me deixar a par do problema e definir algo a ser feito diante desta estranha situação.

A luta prosseguia, João já não se mostrava capaz de conter os golpes de Issinho. Esse, por ter mais idade e melhor condição física, vinha ganhando vantagem durante a briga. Com isso já não tinha dúvidas, teria de ajudar João que era meu amigo. Obviamente, o outro provocou toda esta situação, não poderia deixá-lo levar a melhor.


Quando me preparava para entrar no confronto, hesitei, os dois haviam parado, seus corpos antes colados, agora estavam distantes por quase dois metros. Observei João se erguer lentamente, parecia meio sem forças em decorrência do confronto. Quanto a Issinho, permaneceu parado, seu corpo não esbanjava qualquer movimento.

Inesperadamente, João atou a correr em direção ao muro da igreja. Fazia grande esforço para conseguir pulá-lo. Voltando meu olhar a Issinho, notei que seu sangue fluía na região do tórax de seu corpo. Corri para acudi-lo, embora sem esperança que ainda estivesse vivo. No mesmo instante João já pulara o muro e devia estar se distanciando dos arredores da igreja. Gritei pelo padre da paróquia. Antes que ele e o restante dos colegas do orfanato pudessem chegar, notei que Issinho ainda respirava, tudo indicava ter somente perdido os sentidos. Nessa hora avistei a arma do crime, um pequeno canivete automático, que por pouco não tirara sua vida.

Em alguns instantes, o padre e os garotos do orfanato chegaram a cena do crime. Sem qualquer complicação conseguiram acordar o ferido. Enquanto lhe era posto o curativo, Issinho ressaltou, a todos, o motivo que o levou a disputar aquela batalha. Alegou ter acordado durante o encaminhar da noite e viu João com o cálice entre as mãos a fim de fugir da paróquia levando-o consigo. Issinho por sorte de ter acordado, pôde impedir o roubo arriscando sua vida para fazê-lo.

No canto da igreja estava o cálice, jogado ao chão. Isso prova que a versão de Issinho era verdadeira, aquele não era o local onde se costumava guardar o objeto.

Caso a luta tivesse durado mais alguns instantes, teria sido cúmplice no plano de João pois, iria me envolver em sua defesa, ajudando a realizar seus propósitos. Como às vezes nos enganamos com as pessoas! João, rapaz de bom senso, sempre esperou a hora exata para concretizar seu plano de roubo. Quanto a Issinho que apresentava ter os básicos requisitos de um marginal, foi na verdade um herói.

O Orfanato nunca mais ouviu falar de João.


CONTINUA...

14 Coveiros:

Nando! disse...

O blog é bem interessante..
e gostei da ideias dele!
Além dos textos bem interessantes!
É uma boa pedida de leitura!

ImagArte disse...

Ótimo blog, textos que realmente despertam a imaginação de qualquer um, bom pra leitura.
Quando puder da umapassadinha na minha pagina: www.imagarte.blogspot.com

Até mais

Laís Ossami disse...

Adorei, esse toqe sombrio é o que muitos de nós precisamos.

ArthurVinicius disse...

Gostei do lado sombrio do blog..hehehe

bom texto, vou acompanhar...

Abraço!
se tiver tempo passa lah!

Dani disse...

gostei do blog... textos muito legais!
parabéns!
passa lá no meu ^^
bjinhus

http://danizinhat.wordpress.com/

lara veiga disse...

Quero ver logo o resto, a tal cont

Janaina Moraes disse...

Tá bom, vou confessar e perguntar.
Fiquei com um pouco demedo quando cheguei ao meio do texto.
Essa era a intenção?

Tá, eu sei que era.

Orkut-s disse...

O lado sombrio é um pouco novo para mim, não estava acostumado. Mas a capacidade que voc~e tem de nos fazer imaginar a situação é esplêndida! parabéns pelo post.

Marcelo Malta disse...

As vezes a gente se engana muito com as pessoas. A arte imita a vida.

Alexander Toiévski disse...

que medo né
a vida sem medo e xata neeeeeeee


http://cronicasdigital.blogspot.com/

mateusbonez disse...

adoreiiii.

http://tiomah.blogspot.com/

Nat Tigres brancos disse...

Um ato heroico eu diria de Issinho ele estava bigando apenas para defender os bens da igreja e por sorte ele acordou e empediu o roubo.
eu gostei desse texto muito bom mesmo

http://esquadro-x.blogspot.com/
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MioneNunes disse...

Simplesmente aaaaaaaaaaamo textos como esse
amo mesmo :D
Gostei muito, muito meeeeeeeeeeeesmo do teu blog :D
Se tiver interessado em parceria entra la amigoo
www.meannina.blogspot.com
beijos
te cuida

Rafa Flori disse...

Lindo

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