12 de julho de 2009

Falso Amigo II

Segundo desdobramento do texto Falso Amigo publicado aqui no blog...

À frente, somente, enxergava a escuridão. Corria em linha reta sem ter qualquer destino, sentia-me como uma presa tendo de fugir dos caçadores e o único pecado que cometi fora me envolver com a pessoa errada. Carregaria esse “barco sofredor” durante o resto da minha vida.

Era impossível saber o que mais me alarmava: seria toda aquela escuridão cercada pelos zumbidos de animais ferozes? Ou o remorso por ter tirado a vida de quem há poucos instantes considerava como um dos maiores amigos que tive na vida? Certamente, não vivia um momento oportuno para chegar a uma conclusão sensata, mas nem tudo era tristeza, estava feliz em saber que a cada segundo, mais distante me encontrava dos arredores da igreja.

Correndo durante alguns minutos, algo me incomodou com maior gravidade. Dessa vez não era a consciência de ser um assassino ou o medo da floresta, e sim quando me dei conta que jamais poderia retornar ao asilo situado na igreja. Como viveria sem escutar, diariamente, os longos sermões do padre Otacílio? Nessa hora notei o grande amor que sentia pelo meu lar, não podia aceitar tê-lo perdido para sempre.

Tudo começou com a chegada de um novo garoto às instalações do orfanato. No início, mantinha-se muito sério, algo normal para alguém que acaba de chegar a um novo ambiente e não conhece ninguém. Os dias foram se passando e assim notei que o novato agia com naturalidade. Ele, de fato, era uma pessoa séria e não se aproximava de ninguém, falava com todos somente o necessário.

Essa característica o fazia diferente quanto aos outros do orfanato, e isso chamou minha atenção. Logo me aproximei de Issinho, queria conhecer sua estranha personalidade. Nos primeiros dias ele aparentou não gostar de minha aproximação, respondia minhas perguntas com poucas palavras e algumas vezes até me deixava falando sozinho.

Em poucos dias, fui conquistando sua amizade e respeito. Enfim, conhecendo melhor sua personalidade. Era difícil explicar: Ele possuía um raciocínio lógico bem acima do meu e dos outros colegas, tinha uma resposta para tudo. Às vezes até esquecia que estava conversando com alguém poucos anos mais velho.

Durante a noite, acordei por causa de um pesadelo envolvendo o padre Otacílio. Ao olhar em direção à cama de Issinho, não o vi dormindo. Quase deitei novamente para voltar a dormir, quando lembrei que naquele dia, Issinho esteve bastante diferente, talvez o meu amigo precisasse conversar um pouco.
Percorrendo o caminho de acesso à igreja, avistei meu amigo a poucos metros de distância. Chamei por seu nome. Ao se virar em minha direção, a surpresa: Issinho em mune ao cálice, provavelmente tinha a má intenção de roubá-lo. Como seu amigo, não poderia deixá-lo cometer tal erro.

Todos os meus argumentos foram em vão. Restou uma única saída. Corri para cima de Issinho, iniciando assim nosso confronto. Para minha surpresa, ele puxou do bolso um canivete, eu fazia muito esforço, caso fosse atingido seria o fim. Tive sorte! Issinho não possuía habilidades em manusear a arma e acabou ferindo a si próprio no peito. Quando voltei a mim, vi seu corpo sobre o chão. Fiquei amedrontado. O medo tomou proporções maiores quando vi seu sangue fluir, manchando toda sua camisa. Com as forças que restavam, pulei o muro da igreja e corri para dentro de uma mata bem próxima à igreja. Continuei correndo, sabia que agora ninguém acreditaria em mim. Não podia pagar por um crime que não cometi.

Agora correndo contra o destino, imagino a policia levando o corpo de Issinho dentro de um saco plástico de cor preta. Logo irão se espalhar pelas localidades próximas, atrás de minha captura. Quando amanhecer, todos vão falar desse maldito crime.

Buscando forças para continuar correndo, percebo que não entendo bem do que realmente estou fugindo. Poderia ser da justiça a qual me caçava para responder a um homicídio e quem sabe até dos fantasmas que deveriam atormentar meus pensamentos durante o resto de minha vida. Só há algo a fazer: aguardar o momento de minha morte para que em meu reencontro com Issinho, seja no céu ou no inferno, possamos resolver nossas diferenças.

CONTINUA...

19 Coveiros:

Tiago Dadazio disse...

nao é nada facil..

Lara Veiga disse...

Que história, esse tah melhor que o 1

Guppy disse...

Muito boa a história !

PanPum Flûor disse...

que show@

muito foda!
e seu ?


eu achei o final perfeito!

Vinny disse...

Legal teu blog.

Visita lá o meu:

http://cineminhacompipoca.blogspot.com/

Rafa Flori disse...

Belissimo texto

Felipe disse...

Você escreve muito bem e fiquei ansioso agora para saber do desfexo desse "assassino".

http://cerebro-musical.blogspot.com

Álvaro Neto disse...

Cara, não li o texto anterior entao não entendi nada, vou le-lo e posto outro comentario depois.

abraços

torres disse...

coe maluco... perdao ae pela confusao entao...
dei uma lida rapida no texto, achei interessante... curte stephen king? achei q pareceu um pouco no estilo e tal... abraços e sem ressentimentos, pá trankuilo.

LReporta disse...

Não consigo entender a narrativa, post deveriam ser auto-contidos. Há alguma chance de colocar o texto todo em um post só?

Rafa disse...

Tem o link do texto anterior acima...

Avassaladoras Rio disse...

Querido amigo avassalador...
por acaso é fã do Stephen king? ou quem sabe hithcock ... só não aguente ter que esperar para ler a sequencia...

Alan Salgueiro disse...

Tem um bom enredo, boa estrutura e desenvolvimento dos parágrafos, mas não é exatamente o tipo de narrativa que aprecio.

A.C Once Caldas - SM disse...

Muito bom o texto mesmo, alem de tudo interessante, parabens veio

LCM! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Martin disse...

mto lgal. vou dar outras passadas aqui

Luiz Guilherme disse...

Nossa..mto bom msmo...a figura ficou bem macabra...e o txt ficou mais ainda...mto bom...

http://lg7fortalezace.blogspot.com/

vlw

Sistema Zombie\ Nildo Junior disse...

Muito bom, parabens!

Canto do Lufa disse...

Muito bom

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