6 de julho de 2010

Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar

Referência ou Alusão, não chega a ser raro ouvir alguém dizer ou até balburdiar-se com essas palavras, sobretudo em situações de comunicação. Mas, o que seriam essas duas expressões afinal? De acordo com o dicionário, a primeira denota ação ou efeito de referir. Enquanto a seguinte, baseia-se na mesma ação ou efeito só que significando uma referência indireta, verdadeiramente vaga.

Utilizar-se de tais expressões não chega a ser raro, muitos não se atinam que ambas integram conceitos denominados como intertextualidade. Essa teoria contraiu amplo poder entre os precursores da literatura moderna e fora amplamente renegada no passado. Intertextualidade, em grosso modo, significa interação entre textos. Em outras palavras, o diálogo entre esses formando um emaranhado de signos organizados para transmitir uma mensagem. Parece complexo e bastante interessante, certo?

Errado! Pelo menos é o que pensavam os românticos do passado, creditando a intertextualidade como uma prática incoerente por não priorizar – ainda de acordo com eles - a originalidade das obras. O tempo foi passando e esvairando essas concepções. A busca pelo novo propagou em um modelo antigo, que de novo não tinha nada além do inédito assentimento. A perspectiva se baseava no total esgotamento de uma produção dentro de si própria, capaz de estabelecer a uma obra, diferentes conotações em meio a caracterizações totalmente distintas – base das grandes produções pós-modernas.

Embora se atenha primeiramente a literatura, a intertextualidade se desenrola nas diversas áreas do conhecimento, como pintura, música, cinema e até na publicidade. Quando se atesta que um determinado autor empregou a “Referência ou Alusão” no ato de uma segmentação escrita, significa que ele - de modo direto ou indireto -, utiliza-se de uma temática, ou mais precisamente um contexto ou ideia de elaboração prévia, usufruindo do advento de uma particularidade, a total liberdade de produção.

A Referência e a Alusão é uma comunicação sutil entre os textos, a qual se nota apenas uma leve menção de outro escrito ou a um componente seu. Na alusão, nunca se aponta diretamente o fato em questão, somente o sugere através de características secundárias ou mesmo metafóricas. Referência pode ocorrer de forma explícita ou implícita a uma obra de arte, um fato histórico ou até a um autor, servindo de artifício de comparação, e não só apela ao repertório global, como interagi com a capacidade de associação de ideias do leitor, o conhecimento compartilhado, comum ao produtor e ao receptor de textos.

Mas, como já se deve ter lido em algum lugar, uma coisa é contexto, outra é o texto. Muito diferente é o caso do uso de alusões por parte de um poeta. Nesse caso, não há alternativa senão buscar conhecimento adicional. Já que a Alusão é uma perspectiva de referência indireta a uma pessoa, um lugar ou uma coisa - seja essa fictícia, histórica ou atual -, usada no contexto de uma obra. Cai sobre a esfera da Alusão, a responsabilidade de afastar os chamados "preguiçosos" da poesia. Sobretudo porque para o bom entendimento do recurso, faz-se necessário na maioria das vezes a necessidade de vasculhar uma gama de informações incógnitas. Então partindo para outra vertente, um pouco de como tudo isso pode ser aproveitado na prática.

Exemplos de Referência e Alusão

No exemplo abaixo, o poema de autoria de Camões, faz referência poética a uma passagem bíblica (Gênesis, 29,15-30). Essa é uma referência ao antigo testamento, reza a lenda que Jacó serviu a Labão por sete anos em troca de sua filha Raquel e o pai entregou Lia, sua irmã mais velha. Forçando assim Jacó a trabalhar mais sete anos para que o pai concedesse sua filha mais nova.

“Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertencia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida”

A alusão, como ocorrido na literatura religiosa medieval, pode servir apenas para exibir sabedoria. Só pelo processo de reconhecimento, ou re-identificação desta relação por parte do leitor, é que pode se tornar efetiva, por adquirir uma função mais exigente do que a mera citação. A alusão difere da referência ainda pelo fato de seu sentido depender fortemente do contexto em que está inserida. Em certas circunstâncias, torna-se complexo expressar quando se pratica uma ou outra. Como no caso a seguir:

Primeiro uma breve sinopse: de Olhos Bem Fechados é o epílogo da carreira do consagrado diretor Stanley Kubrick, encerrando sua preciosa obra cinematográfica. Pode se dizer que o último é o mais ousado filme do cineasta. É uma constrangedora jornada psicossexual, um assustador universo alucinatório que representa um grande marco nas carreiras dos astros Tom Cruise e Nicole Kidman. Cruise interpreta o doutor William Harford, que é jogado numa aventura erótica que ameaça seu casamento - e envolvendo-o em um misterioso caso de assassinato - depois que sua esposa (Kidman) admite ter desejos sexuais por outra pessoa. Como a história caminha entre dúvidas e medo, auto-descobrimento e reconciliação, Kubrick conduz tudo isso com imagens surpreendentes. São características brilhantes que fazem dele um cineasta inigualável que, nesta obra, manterá todos os olhos bem abertos.- A senha FIDELIO, utilizada por Bill para entrar na orgia, vem do latim "fidelis", que significa fidelidade. Fazendo referência aos membros da alta sociedade que praticavam nesse caso a infidelidade.

- Um exemplo de alusão é o nome Harford, dado ao personagem de Tom Cruise, nada mais é do que uma homenagem do diretor Stanley Kubrick ao ator Harrison Ford, um tanto imperceptível é verdade!


Para nenhum morto vir me “encher” o saco que o texto está muito grande, continua no próximo post, com novos exemplos, como a música L'Âge D'Or da banda Legião Urbana, um comercial de tevê e enfim a Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar! Não percam coveiros!

19 Coveiros:

luly sena disse...

Muito bom seu Blog, e pelo jeito o texto tambem, e muito grande e confesso que fiquei com preguiça de ler, mas vou ler ele ainda *-*

spectromgm disse...

Muito bom, cara, você é um (como fala o pessoal da minha escola) "crânio"! Apesar de estar querendo fazer um curso de Letras, não chego nem perto de você em seu domínio de nossa língua... Muito bom o blog

Daniel Silva disse...

legal, cara. curto muito esse filme aí.

raul disse...

Caraca muito massa kra, quero ver a parada da mensagem subliminar, posta logo viu!

tdsobremoda disse...

Muito bom, parabens !
Adorei...

Rafa Flori disse...

Nossa bem culto, bacana mesmo! Quero ver o resto viu!

Taavolino disse...

Eu faço Publicidade, e essas coisa são normais de ter.

Muito bom o seu texto, sério!
=)

Annie disse...

Amei como sempre sua produção textualllllllll

Lara Veiga disse...

Sepre inventando outros tipos de textos e propostas de atualização né? adorei!

Anônimo disse...

tb fiquei fã!

Achados e Perdidos Blog! - Tudo o que você procurava disse...

Muito bom, parabéns!

Ps: Estou seguindo o seu blog.

Análise F.C disse...

Escreve com inteligência.. Quanto a publicidade, sou fã!

http://analisefc.blogspot.com/

Lucas Agra disse...

parabéns pelo post. escreve muito bem e parabéns tbm pela ótima definição.

Vii Ferrari . disse...

Aaaaaa você escreve muito bem.
Adorei seu espaço.
Adorei seu blog.
Nossa texto massa.

¬¬° tudo cliches adotados para comentar em um teeexto taaaaaaaaaaaaao grande.

Vou ser sincero em te dizer que eu nao li. \z

cara isso tem mil quilometros!

SÉRIO.

aushuhassa

mas pelo que eu pessei os olhos vc realmente sabe escrever, e o titulo é bem origial.

\z uhasusa

Roberta Leite disse...

Blogs como o seu me dá forças para continuar escrevendo.
Pelo simples prazer de um dia escrever tão bem quanto você.
Parabéns, ótimo blog e texto.

Luiz Brisa disse...

ja fi o filme ai
eu gostei

Nayane disse...

demorei um pouco para ler, mas gostei do post ;D

gavrielalon disse...

como fasso publicidade isso é comum!!
gostei da postagem!!

andersonsistemas disse...

seguindo...


www.carrapatopreto.com

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