24 de janeiro de 2010

Sua vida... Sem você



Tudo Bem! Antes que comecem as broncas vou logo admitindo que esse Cemitério anda mesmo meio – completamente – abandonado. Na verdade, por isso que acabou se tornando, um imenso cemitério, pouco povoado e repleto de teias de aranhas por todos os lados, hahahahahahh....

Então, para perturbar o sono dos coveiros falecidos, que tal falar um pouco sobre um filme extraordinário, diria até que já era o melhor muito antes de ser, e agora mais ainda, muito depois de ter sido... Nossa! Agora estou parecendo um tanto leviano e insensato, mas acontece que essa é a ideia inicial da obra, afinal, o que diabos você faria se descobrisse que tem apenas mais dois meses de vida?

É uma indagação forte, apesar de se caracterizar como uma premissa tênue e um tanto batida no universo cinematográfico. No entanto, repleto de originalidade, Minha vida sem mim (My life without me, 2003) aborda a temática utilizando-se de um repertório até fascinante, o tema sofre uma espécie de releitura, dosando com maestria o elemento sensibilidade, exibindo uma incomum habilidade poética para não ser vítima de armadilhas como drama excessivo se apoiando no sentimentalismo banal e nas constantes páginas da vida que geralmente integram o gênero.Um passeio pelas personagens... A protagonista Ann (Sarah Polley), é apresentada como uma jovem faxineira de uma universidade e que pra variar, leva uma vida difícil. Difícil por conta de suas duas filhas pequenas, a mais velha nasceu quando ainda era muito jovem, e um marido desempregado (Scott Speedman), obrigando a família a residir em um trailer instalado no quintal da casa de sua mãe (brilhantemente interpretada por Debbie Harry, da banda Blondie), no estereótipo de uma mulher amargurada e infeliz.

Agora um passeio pelo enredo. Tudo começa após Ann sofrer um desmaio em casa. Através de uma consulta com um médico, descobre ser portadora de uma doença em estágio terminal. Restam-lhe nada mais do que dois meses de vida, isso é o que afirma o médico, incapaz de encarar a jovem de frente. A partir da deixa, o filme automaticamente se desvincula do estado usual, já que Ann resolve esconder o fato de sua família e parte para realizar uma lista de coisas que nunca fez e que gostaria de pelo menos experimentar por uma única vez. Entre os desejos, nada de tão memorável, inclusive nota 10 a produção pela sensibilidade de reunir um conjunto de carências tão absurdamente comuns e humanas, que estabelece um elo, ficando impossível não se aproximar da personagem.

Alguns paradigmas são rompidos analisando pelas entrelinhas. Não existe a figura de um herói e tão pouco são exibidos rompantes de compreensão no sentido da vida ou sofrimentos acentuados. É meramente destrinchada sua própria vida, eternizando medos e fantasmas. Pela primeira vez, ela é a sua única prioridade.Produzido pela El Deseo, o título foi dirigido por Isabel Coixet, profissional oriunda do mercado publicitário, que se destacou pelo equilíbrio e sinceridade. O elenco foi selecionado durante um processo criterioso, condizendo com o resultado totalmente convincente. Sarah Polley é pura sutileza e revela um fascinante talento, Speedman interpreta um marido leal e devotado, já Amanda Plummer faz um ótimo trabalho como uma colega de Ann metida em diversas facetas, enquanto Mark Ruffalo está em um de seus melhores momentos como o novo amor que a protagonista conhece numa lavanderia.

Juro solenemente que não vou esquecer meus mortos por tanto tempo, fico feliz de ter retomado o Cemitério abordando uma produção desse quilate, exibindo uma condição conflitante e deveras interessante. Peço por fim, que não pensem que “Minha vida sem mim”, aborta totalmente a vertente dos dramalhões, pois se trata de um filme amargo, duro, diria até que essencialmente triste. Uma história que sem se utilizar de apelos é surpreendentemente capaz de comover qualquer um, instigando meditações sobre a jornada da vida, seu fim, a questão do tempo restante. Ann nos ensina que a vida só vale a pena se for possível realizar seus anseios, pondo em prática, um repertório definido como aprendizado, afinal nada é mais gratificante que presenciar o seu próprio crescimento, essa dádiva foi o último ensinamento da protagonista: por todo o sempre, mesmo que esse sempre dure dois meses, alguns anos ou décadas.

11 Coveiros:

Lenivaldo Silva disse...

Massa..
Eu gosto de filmes desse gênero.É uma pena que muitas pessoas só abram os olhos paras as coisa boas da vida (e falo de céu,música,vento) quando estão em situações críticas como é o caso de uma doença etc.
Me emocionei muito com o filme "Um amor pra recordar".Creio que você tenha assistido.Todo mundo assistiu.
Muito bom o cemitério.
Continue cavando buracos cada vez mais fundos pra que o leitor caia nas suas postagens.

Rafa Flori disse...

Esse filme é realmente lindo!

O fechamento do tezto ficou tão lindo qt viu!

Melisseira (♥) disse...

Oi Adorei seu Blog !

rafa flori disse...

Adorei e vou adorar pra sempre o seu bloggggg

Lara Veiga disse...

Ummmm voltou em alto estilo em? Que texto lindo, o filme eu n vi, mas parece ótimo...

Luana Bernardes disse...

Excelente blog e excelente post!
Adorei as dicas de Cinema. =)

Lucas disse...

belo texto hein, o filme eu nunca vi mas parece ser muito bom

parabens pelo blog

Carlos Alberto Mota Candreva disse...

As vezes falta tempo mesmo, ninguém pode te condenar, afinal temos "vida" rsrs..

Bem curti muito o texto, e vou assistir este filme...

Vini e Carol disse...

Não assisti ainda mas quem sabe no próximo fim de semana, agora eu tenho uma indicação.
E relaxa quanto a falta de tempo para o blog, acontece com os melhores, o meu blog ficou assim por uns tempos, agora que está se estabilizando de novo, mas aos poucos.

Beijos, Carol.

Raul disse...

Minha mãe tah aqui do meu lado e disse que o filme é foda, vc sempre trazendo bons posts né rafinha? Parabéns pelo blog, sempre que escrever vou estar por aqui apreciando...

Vivian Azevedo disse...

Que massa, esse eu quero assistir e com esse texto maravilhoso que empolga mais ainda.kkk

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