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20 de janeiro de 2021

Credo da remissão

Quando se tem nove anos de idade, é um tanto intimidador ficar diante daquele representante do Senhor, com sua sotaina branca, crucifixo opulento e um par de óculos estampando a face. Começava pedindo a reza do Pai Nosso, chegava a atropelar algumas palavras, mais por conta do nervosismo. Depois era a vez da Ave Maria, também nada capaz de representar um grande infortúnio. Os sobressaltos inquietantes eram tracejados no ato do terceiro desafio, quando o sacerdote postado a minha frente dizia: muito bem, agora o Credo!

- Creio em Deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único filho, nosso Senhor...

- E?

- Desculpa padre, vou recomeçar: Creio em Deus pai todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único filho, nosso Senhor...

O bom padre chegou a passar um verdadeiro sermão, sobre a importância de aprender o credo de cor e salteado. O filme se repetiu pelo menos outras duas vezes e como antes, lembrava apenas do começo e do trecho "desceu a mansão dos mortos" , isso era tão assustador, se tivesse de partir não ansiava descer àquela vultosa morada.

- Se você não souber recitar o Credo de cor, não poderá fazer primeira comunhão – disparou o padre. Lembro-me de relatar o episódio para algumas pessoas, ficaram horrorizadas com a exigência. No fim, acabei me sagrando campeão daquela “queda de braço”, porque fiz a primeira comunhão e não aprendi o tal Credo . Para dizer a verdade, nunca tive orgulho disso, era como triunfar sem benemerência, prevalecendo um impertinente gosto de malogro.

Tantos anos depois, em tempos tão difíceis impostos pela pandemia do novo Coronavírus, as pessoas sentem a necessidade de se apegar a alguma coisa, sendo marcado um reencontro com o Credo e dessa vez acabei assimilando toda a oração, como era esperado pelo padre há quase três decênios. Talvez estivesse certo quem dizia: antes tarde do que nunca! Enfim, agora pareço poder comemorar os êxitos de minha primeira comunhão e até consigo idear o semblante de contentamento do velho sacerdote.

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4 de junho de 2011

Lendo as cartas da Cartomante Machadiana II (Final)

Clique aqui para ver o texto anterior

Foco Narrativo

O narrador, no âmbito de uma perspectiva básica textual, assume o caráter de uma entidade responsável por narrar aquele determinado acontecimento. É uma das três esferas em uma história, sendo os dois outros o autor e o leitor/espectador. O ledor e o escritor dialogam com o mundo real. É função autoral estabelecer um mundo alternativo, paralelamente ambíguo com as figuras dramáticas rodeadas por cenários e eventos disformes que fomentam a ideia escrita. Nesse processo, o leitor também possui o seu papel, sendo incumbido de entender e interpretar a mensagem. O narrador existe meramente no mundo da história, formando o fio tênue entre leitor e trama de uma forma que possa compreendê-la.

A história, claramente narrada em terceira pessoa, tem a presença onisciente do autor, que usa dessa mesma onisciência para narrar e descrever os fatos. O narrador, nesse caso Heterodiegético - não é personagem da história, a forma mais comum na literatura. -, às vezes, assume apenas a posição neutra, transmitindo a realidade através da descrição das ações. No entanto, em outros momentos, prevalece a condição de narrador onisciente intruso, com liberdade plena, assumindo-se um conhecedor do âmago pensante e psicológico de suas personagens.

O advento perpétuo de uma voz onisciente é relevante por incitar a narrativa com uma atenuante, acentuar os passos dramáticos da obra, suscitando os conflitos internos das pessoas, formando um prólogo de recursos literários mais intensificados. Na ausência dessas soluções, o texto seria conferido em uma atmosfera mais uniformemente mórbida e invariavelmente monótona pela facilidade de presumir o seu desfecho. Também se atribui a esse recurso, o poder do autor em situar o leitor durante o curso do enredo, não somente ilustrando eventos como textualizando narrativamente.

O conto ainda utiliza dois discursos, tanto direto como indireto. Já que em diversos trechos os personagens ganham voz dentro da história, com o narrador, interrompendo a narrativa, para lhes conceder o direito de fala. Mas, em outras passagens, a perspectiva é diferente, não há diálogo, o narrador não as coloca a falar diretamente, mas faz-se o intérprete de sua voz, transmitindo ao leitor o que disseram ou mesmo pensaram.

Estrutura textual, Figuras dramáticas e a Trama

O texto é intrigante pelo poder de, em poucas linhas, desencadear em um incomum experimento no quesito estrutura narrativa, dividida em três partes. Na primeira, o período inicial, no qual o autor se preocupa em traçar um panorama introdutório, usando da precisão textual que lhe é peculiar. O leitor toma conhecimento que Rita, uma bela jovem, vítima da libido pecaminosa da carne, porém dotada de um espírito ingênuo, recorre a uma cartomante para saber se seu amante, Camilo, havia deixado de amá-la, já que há tempos não recebia suas visitas. O aparente mal entendido é desfeito, quando num segundo momento, o narrador transcende ao passado para atestar como se montou a relação, dando ao conto características alineares. Camilo era amigo de infância de Virela, que afastados pelo tempo, acabam se reencontrando, quando este já está casado com a jovem.

A amizade é o elemento central responsável por nutrir a intimidade entre Rita e o amante, ainda mais após a morte da mãe dele. Em nome do afeto que sente por Virela, Camilo até relutou contra seu desejo, embora, a atração por ela acabou sendo mais forte. No trecho crucial de A Cartomante, Camilo recebe um bilhete de Vilela, algo do tipo “Vem já já”. A princípio, isso logo lhe pareceu o enúncio do fim, o amigo parecia ter descoberto tudo. Partindo de imediato, vê-se preso devido ao grande tráfego causado por um acidente, exatamente nos arredores da casa da cartomante. Após uma profusão de conflitos e de romper muitas barreiras, Camilo também resolve aderir ao misticismo. A visita dura pouco, mas demora o suficiente para que lhe sejam galgados veredictos deveras animadores. Seu alívio veio junto ao trânsito que se dispersou e então resolveu partir a casa do colega. Logo quando foi recebido, além do rosto desfigurado de Vilela, completamente entregue ao desejo de vingança, o corpo de Rita, agora somente uma carcaça, falecida sobre o sofá. Antes que se recuperasse do choque ou que pudesse esbanjar qualquer reação, foi vitimado também pela ira do marido traído.

O enredo essencialmente conta com quatro personagens protagonistas, que seriam na ordem Vilela, Camilo, Rita e a figura incógnita da cartomante. No entanto, há outros personagens importantes que não marcam presença direta na história, é o caso da mãe morta de Vilela, que não obstante de secundária, assume uma atribuição capital na envoltura amorosa entre Camilo e Rita. Essas participações, portanto, não são e muito menos podem ser ideadas como o fruto de um acaso não intencional, fazem parte da inteligibilidade narrativa, e figuram-se como determinantes para o enredo da contextura. Machado de Assis além de analisar, também enfatiza psicologicamente todos os papéis, preconizando dilemas e conflitos interiores bem como aquilo que mais temem.

Quando a proposta é abordar o enredo, impossível logo não se remeter ao triângulo amoroso apresentado, a peripécia do adultério, abordada em Memórias Póstumas de Brás Cuba. Amigos de infância, Camilo e Vilela se encontram após um longo período de distantes. Depois de se reencontrarem, Camilo descobre que o amigo casara-se com Rita, a quem posteriormente é apresentado. O resto é até simples presumir, um misto de paixão, traição, adultério seguido de morte, mas isso o leitor só vai descobrir no final.

A formação do triângulo amoroso é que dará continuidade a montagem de Machado, com a jovem entrando em cena, já que sua desventura extraconjugal é o ponto de partida para buscar os conselhos de uma cartomante, que imediatamente prevê muita sorte e alegria nos novos rumos que sua vida vinha enveredando.

Já o amante, uma figura cética, na iminência de assentir um chamado urgente do amigo, vê-se atormentado pelo sentimento de culpa, ironicamente – na base do acaso –, busca consulta nas palavras da mesma cartomante, que também lhe conjetura um futuro próspero, em forma de duas balas que lhe atingiram o peito, desferidas a queima roupa, vendo sua vida esvaecer ao lado do cadáver da amada que o esperava, na vitória pré-estabelecida do ceticismo que coroa o texto.

Em A Cartomante, o desfecho justifica o conceito narrativo, mistério e misticismo, perspectivas que o texto dialoga, subitamente saem de cena, dando vazão a veracidade, no fim o realismo prevalece, na esfera psicológica, o natural desejo de vingança que assola e seduz. E não se pode negar que Machado não forneça evidencias de seu idealismo, no ritmo lento da narrativa, contrastando com o desfecho, o qual a velocidade subitamente dobra ou triplica no último ato.

Por fim, basta se aventurar por novos contos e romances de um dos mais antigos e atuais autores da Língua Portuguesa, que partiu faz tempo, deixando hereditariamente um legado que se renova, a cada leitor, inspirando gerações que vêm e vão, todos sempre fascinados pela presença da ironia, desse romântico às avessas, sarcástico e com a dose perfeita de pessimismo. O caminho para conhecê-lo é um só, pôr-se a ler sem parar. Porque a fórmula para sucesso é submissa à vontade, a gama pelo conhecimento ainda desconhecido, nesse emaranhado de palavras e orações, que precisam ser devorados, com volúpia semelhante à aptidão natural de um machado flamejante em dizimar suas vítimas.

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30 de maio de 2011

Lendo as cartas da Cartomante Machadiana

No conto A Cartomante, Machado de Assis – para variar –, mais uma vez brinca com o leitor nas estrelinhas, fazendo-o se deparar com sua visão pessimista do mundo, imprimindo e principalmente demonstrando, talvez, certa decepção pela vida com as pessoas que habitam nela, sempre derrogando qualquer estimativa de um final feliz. Durante o texto, um passeio por atmosferas psicológicas que desencadeiam em contradições humanas, dentro de uma habilidade incomum de criação de figuras dramáticas imprevisíveis, capaz de aliar na dose exata, a mistura de elementos como naturalidade e malícia, além de lisura e simulação.

O texto pode ser definido como um discernimento hilário a cerca das conjunturas humanas, focado na relação que desencadeia entre suas personagens e seu padrão comportamental. Dá vazão a uma locução caracterizada pela sobriedade, comprometida com minuciosos detalhes para atingir a condição de análise densa com o psicológico socialmente humano.

A cada linha do título, originalmente publicado pela Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 1884 - posteriormente incluído no livro “Várias Histórias e em Contos: Uma Antologia” -, é conferida a exacerbação do elemento narrativo, estabelecendo a perfeita interatuação entre o leitor e a oralidade da linguagem. A trama é abarrotada por “diálogos” que o narrador, frenquentemente, estabelece com o leitor.

A cartomante inicia com citação a um autor clássico – ninguém menos que Shakespeare –, e por meio da intertextualidade, com que o leitor logo se depara, é possível imaginar que ainda muito mais está por vir. A despeito da dimensão do conto, cinco páginas, são cabíveis de atilamento quanto à mesquinhez somada à precariedade da sorte humana.

O escrito é representativo da segunda fase do escritor, que renunciou ao Romantismo para enveredar por outro caminho, o Realismo. Os textos, dessa fase do autor, caracterizam-se pelo poder de introspecção, pelo humor sórdido e, sobretudo, pelo pessimismo, que se tornou típico em relação à essência do homem e seu relacionamento direto com o mundo. E a Cartomante é uma boa exemplificação, pois na trama, Rita, Camilo e Vilela, envolvem-se num triângulo amoroso, trágico! Traição, adultério e paixão, mais que elementos, são características que permeiam a narrativa.

Os principais contos machadianos são O Alienista, A Cartomante, Missa do Galo, A Causa Secreta, O Espelho, A Casa da Vara, Uns Braços.

O Perfil

É passível observar, A Cartomante forma um específico texto que mistura um punhado de particularidades acentuadas na pragmática machadiana. Primeiro pelo emprego adequado de metáforas, constantes no conto, também pela imprevisibilidade, no quesito comportamento das personagens e claro, pelo denodo filosófico, além da ambiguidade que cerca a obra.

Machado de Assis se aproveita da intertextualidade literária e o recurso narrativo onisciente para dinamizar o relato da história, acentuando os momentos dramáticos do texto. O recurso além de enriquecer, em termos de conteúdo, mostra-se capaz de elevar e prorrogar o mistério da contextura, mantendo o leitor atento no âmbito do desenrolar da história.

Todos esses elementos servem como ingredientes, misturados em um imenso caldeirão e na ausência deles, o texto não resultaria nesse experimento dinâmico, e seu epílogo não teria a mesma ênfase. Apenas olhando a história, é fácil presumir seu desfecho. Daí entra em cena o mito machadiano, a partir de seu apurado trabalho com a linguagem, somado aos pretextos machadianos, fazem com que a trama siga o seu próprio eixo gramatical sem que o leitor perceba diretamente a inserção do fenômeno literário.

Continua com novos elementos...

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9 de março de 2011

A lógica ilógica de uma cegueira

Nunca fui um dos maiores adeptos ao trabalho de José Saramago, confesso! No entanto, nem se fosse cego poderia negar que, o autor falecido no ano passado, tem elementos de sobra para – no mínimo – merecer um post no Cemitério. Como parte de uma realização pessoal, resolvi que deveria conhecer mais de perto o trabalho desse que, para muitos, é um dos escritores mais geniais da literatura. Minha empreitada começou com uma de suas obras mais expressivas, portanto não deixem de ler a crítica.

É bem difícil presumir essa experimentação artística: “Ensaio sobre a Cegueira.” Basicamente, pode ser conjeturado como um grito cego que emerge de uma humanidade completamente arrasada, alojada em um caos profundo, precisamente compondo um labirinto de dementes... A imperfeição contraditória de um perfeito cenário caótico que só poderia ser retratado - adquirindo vida própria - através do texto de um dos maiores escritores dos últimos tempos, ninguém menos que José Saramago.

Tudo começa quando, estranhamente e numa situação verdadeiramente atípica, um homem fica cego. Era até um dia normal na cidade. Transeuntes iam e vinham de todas as direções. Igualmente os carros parados numa esquina a espera do sinal mudar. Quando finalmente, após minutos que pareciam compor uma árdua espera, a luz verde acende-se, mas um dos carros, ainda inexplicavelmente, não se move. Em meio a muito barulho de buzinas e gente enfurecida que batia nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, era até possível ler as palavras que saltavam de seus lábios, justamente apenas duas únicas palavras: "Estou cego".

Essa era a deixa inicial para um livro que faz o leitor enxergar além de sua própria vontade, e até bem mais que isso, faz temer a própria humanidade frente a uma situação adversa. A verdade é que o específico narrativo não dá uma trégua, já começa duro e, sobretudo, assustador. Esse é o estilo predominante da escrita de Saramago. Até a estrutura textual é recheada de particularidades, com poucos pontos, muitas vírgulas e discurso corrente, o plano de fundo perfeito para suscitar um cenário de acontecimentos de aparência inverossímil, passando pela mente do leitor com uma velocidade incrível.

A partir de uma súbita e inexplicável epidemia de cegueira, o autor gradativamente guia um a um de seus leitores por um tênue caminho, uma dimensão paralelamente ambígua, guiada para a desorganização, desconstrução dos valores mais básicos da sociedade, transformando seus personagens se não em animais egoístas, em verdadeiros déspotas, na sua luta desenfreada pela sobrevivência. Vários personagens vão sendo sucumbidos pelo mal sem que o leitor tenha uma mínima pausa para dar uma rápida respirada. E quando finalmente se dá conta, uma constatação minimamente intrigante, é formado um relato tão aberto à imaginação do leitor, é impossível não temer uma verdadeira epidemia, imaginar como agiria não somente as autoridades, mas o homem em uma situação dessa natureza, e a certeza de como realmente o medo faria vir à tona os instintos mais contraditórios e ocultados do ser.

Apesar disso, a princípio, numa perspectiva simplória e singularizada, é possível criticar a verossimilhança da obra. O hiper-realismo focado na probabilidade absurda de uma cegueira invadir a sociedade, uma doença se proliferar dessa forma, numa visão mais cética isso pode ser questionado. No entanto, a enfermidade é o plano de fundo metafórico para a obra de Saramago dialogar com a crítica sobre os valores sociais, mostrando-os frágeis, pois onde ninguém vê, teoricamente nada aparece, elucidando que os valores, sejam morais ou materiais, são nada mais atribuições criadas pelo homem. Neste contexto, a obra mostra desde aventuras sexuais, o pudor, que já não existe porque não é visto, até a imundície que se instala por toda a cidade.

Estrutura

A história é narrada de modo linear, embora exista uma desconstrução dessa mesma linearidade no quesito temporal, sobretudo, durante suas idas e vindas nas memórias das personagens. A obra é um experimento de características únicas, a mesquinhez presente evoca a reflexão sobre os valores que cada um tem da vida, da moral, dos costumes e até mesmo do que nos é caro: onde está a mãe do menino estrábico? Cegou, morreu? A rapariga de óculos que, em princípio, parece não ter valores, mostra-se filha amorosa, amiga e uma mulher capaz de amar, não pela beleza física, mas pela ternura que as situações a levam.

Um artifício interessante são particularidades que rodeiam as personagens, não caracterizadas por seus nomes, mas pelas próprias particularidades. Citando protagonistas e antagonistas como os ocupantes da camarata onde estavam o médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a rapariga de óculos e o velho com a venda num dos olhos.

A questão da liberdade poética e criativa pode servir para atestar que a obra é difícil de ser concebida por uma soma de motivos, a começar pelo seu contexto filosófico, e seguindo pelo estilo de José Saramago: as falas entre vírgulas forçam o leitor a um verdadeiro mergulho em suas ideias, pois é impossível parar em meio às opiniões do autor.

Romance Moderno

A característica do moderno está em representar alguma ruptura, fuga, quebra, distanciamento com a época anterior e as trivialidades. É um experimento marcado pela subjetividade, a desconstrução, que é um dos parâmetros indispensável para a sociedade moderna, focado nesse desejo voraz e insaciável que é dizimar o que pode ser definido como a máscara da razão, entrando em cena a vontade fisiológica, atenuada pelo poder e competição, a real desvinculação de valores sistematizados, é um anúncio que a obra poderá ser ideada como pós-moderna.

É relevante elucidar que o texto possui, pelo menos aparentemente, certo compromisso com a realidade, embora (eu) não seja a pessoa (médico) mais qualificada para analisar esse grau de veracidade. Existe uma preocupação de se fazer uma explanação contextualizada acerca do mal que assola, traçar os sintomas, e, portanto, não é absurdo dizer que isso denuncia que parece ter havido um estudo, por parte do autor, porque cegueira não se desenvolve de uma hora pra outra, ele faz o parâmetro que nessa enfermidade se enxerga tudo claro, ao contrário da doença conhecida que é tudo escuro. Sobre A Cegueira Branca, como é determinada no romance, nesse aspecto, sem aprofundar textualmente, porque de fato não é importante, parece até existir controvérsias. Mas importante mesmo é analisar criticamente o recurso que se sucede em torno do mal branco, focado na ideação literária, que nada mais é que o resultado do produto geral do trabalho, da cultura. A cultura de um povo se realiza, em diversos sentidos, nas ciências e nas artes. É um conjunto de fatos e hábitos socialmente herdados, e isso determina a vida dos indivíduos.

O texto é moldado em ideais expressionistas, uma vertente que costuma ser entendida como a deformação da realidade para expressar mais subjetivamente a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão dos sentimentos mais que à descrição objetiva da realidade. Entendido desta forma, o expressionismo é extrapolável a qualquer época e espaço geográfico.

Proposta Narrativa

No texto predomina a narração onisciente, embora não exista uma única perspectiva narrativa, visto que o narrador acaba dando voz e dialogando com a ideia de alguns personagens. O narrador de Saramago parece querer incomodar a consciência daqueles que percorrem, pela leitura, suas histórias. Assim, é-lhe peculiar fazer uso da invasão do pensamento das personagens, a fim de revelar suas verdades mais recônditas, também de manusear o tempo ficcional em conjunto com o histórico, causando um vai-e-vem revelador de uma pluralidade de pontos de vista e de julgamentos. O narrador constrói imagens significativas para o leitor, como esta, em que explica o fato de que se o ladrão tivesse recebido oportunidade de ter tomado outra via, não teria praticado o roubo, que lhe ficaria na consciência.

O narrador é o canal que liga o leitor a liberdade criativa de Saramago, pois é através da ação que exerce, o papel de costura as vozes dos personagens para dali conduzir o leitor a uma conclusão, para auxiliá-lo nessa “terra de cegos”, mas de modo que se deixa perceber como o construtor de algo, como alguém que ainda tem algo por fazer.

A cena que diria que mais choca ocorre durante o duelo dentro do manicômio, quando o local acaba sendo tomado pelas chamas. A elegia característica do local, somada a luta pela sobrevivência. Do outro lado o instinto dominante, aliado ao desejo de sobressair frente aos demais. O resultado disso é que nenhum deles, o bem e o mal, podiam imaginar que o mal maior em forma de cegueira, havia rompido os muros do manicômio, invadira toda a cidade, talvez o mundo, enquanto para eles a degradação humana era iminente ao cenário que habitavam.

Outro aspecto interessante, a mulher do médico, ironicamente, recebeu a dádiva de conservar o dom da visão. Ironicamente, porque seu trunfo acabou se tornando seu martírio, sua maldição, aquilo que a diferenciava dos demais, que além de lhe garantir como testemunha ocular do sofrimento coletivo, fazia dela diferente, a pessoa realmente deficiente dentre as demais.

Mensagem final: o leitor pode ou não estar encantado com a literatura de Saramago, pois certo mesmo é que está indubitavelmente assustado com a dúvida que o autor insere indiretamente: É assim que os homens verdadeiramente são? É preciso cegar-se todos para que enxerguemos a essência de cada um?

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14 de fevereiro de 2011

Fotógrafo registra detalhes de insetos

Moscas, aranhas e outros tipos de insetos, seriam mesmo seres pavorosos, ou só nunca foram vistos bem de perto? Foi essa dúvida que levou o americano Thomas Shahan, ao trabalho de registrar os detalhes mais minuciosos dos insetos. A ideia, colocada em prática pelo fotógrafo através da utilização de lentes macro em uma câmera digital padrão, resultou na captura de diferentes espécies de animais minúsculos, expondo tanto as formas mais complexas quanto as características dos artrópodes.

A mostra é variada. Publicada no site de Shahan, além de aranhas, abre espaço para outros tipos de insetos, como moscas e libélulas. Os detalhes e as cores são os principais atrativos, no caso de uma aranha Maevia inclemens, o close-up mostra de perto os quatro olhos e a superfície amarela do octópode.

O fotografo garante que não mata ou maltrata os animais, sequer os imobiliza. A intenção é mesmo fotografá-los no ambiente natural. "Geralmente o trabalho ocorre na rua, mas eu ocasionalmente trago um artrópode para dentro de casa para fazer as imagens", diz.

Thomas Shahan conta que, durante seus primeiros experimentos, chegou a colocar alguns artrópodes no congelador, a intenção era apenas deixar seus movimentos mais lentos. Acabou se arrependendo ao ver que os insetos morriam depois de um tempo.

Shahan ainda explica que, no processo de compilação das imagens, o equipamento utilizado é secundário. "É possível fazer muito com pouca coisa", diz. E deixa uma dica para os novos adeptos dessa prática. "O segredo é sair para a rua, se divertir procurando insetos e tirar o maior número de fotos possível", finaliza.

Fonte: Bol Notícias

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23 de dezembro de 2010

Vestido de Noiva – A vida e a obra de Nelson Rodrigues II

Clique aqui para acompanhar a primeira parte do textoContextualizando Vestido de Noiva

Breve síntese sobre a trama de “Vestido de Noiva”.

“Som de buzinas, carros, movimento. Alaíde é atropelada na rua por um automóvel que foge sem prestar socorro. Levada ao hospital em estado de choque, é submetida a uma operação de urgência. A imprensa divulga notícias sobre o acidente e o estado da vítima. Alaíde não agüenta e: morre!”

Quando ideada unicamente por essa perspectiva sintética, “Vestido de Noiva” denota a condição de uma proposta simplória no quesito enredo e até dotada de certa banalidade criativa. No entanto, essa se resume a uma das dimensões da peça, a de menor relevância talvez. Atrelado a essa história, que corresponde ao plano da realidade, coexistem outros dois campos: da alucinação e da memória. E esses últimos são os que não somente povoam o palco, como se apresentam as minúcias. A realidade serve, na verdade, apenas para delimitar as bases cronológicas da história.

“Uma luz me atrai, um rosto, um véu que cai na nudez desse momento... Quando o véu caiu, vi que ela não tinha rosto!”. A frase, que faz parte de uma inspiração individualizada abstraída das diretrizes da obra, expressa um pouco do arquétipo contextual desencadeado pelo texto, despertando dessemelhantes efeitos pelo apurado trabalho com a linguagem, seguido pelo adequado tratamento ao tema, despojado da leveza da cena na composição dialógica desnudada, evidenciando, seja no texto ou palco, a profunda angústia do autor.

Os três níveis de montagem – que Nelson Rodrigues indica no princípio do texto – constituem a expressão teatral desses aspectos do quais, em dois dele – alucinação e memória – partem diretamente do íntimo de Alaíde, personagem central no enredo da peça. As cenas são fruto do seu subconsciente, enquanto a realidade se confronta com Alaíde, em estado de coma, na mesa de operação, lutando contra a morte. Além dos demais eventos que sucedem o acidente: a movimentação dos repórteres, a reclamação de uma leitora de um jornal sobre o abuso de velocidade dos automóveis, a conversa do marido Pedro com os médicos, a morte da protagonista, o velório, o luto dos parentes e finalmente o casamento de Pedro com Lúcia, a irmã de Alaíde.

No plano da alucinação, seu subconsciente traz à cena, sob a forma de vários episódios, alguns especialmente caóticos, a busca pelas imagens responsáveis por recompor sua personalidade. No texto, passando uma curta referência ao acidente, ela começa a divagar a procura de Madame Clessi, famosa prostituta do início do século, cujo num contato – na base do por acaso – com seu diário, constituiu motivo de fascínio para Alaíde.

A Madame Clessi apresentada ao público, não corresponde à personagem real. Na verdade o texto não compreende essa interação, sendo a imagem de Clessi uma representação criativa de Alaíde, que adquiri perante a protagonista, a condição de símbolo da libertação, quanto a prostituta do início do século, que havia residido na casa em que então moravam os seus pais. Ante o propósito dos pais de incinerarem os pertences da cafetina, que haviam ficado no sótão da casa, a filha consegue resgatar o diário dela e acaba conhecendo detalhes de sua trajetória, complementando as informações com recortes de jornais da época, encontrado na Biblioteca Nacional.

A atração por Madame Clessi, assassinada por seu amante adolescente, é a soma da repressão libidinosa, e corresponde apenas ao íntimo da antes adormecida, mas, nessa busca desenfreada, Alaíde realmente procura a si própria, fugindo da decadente relação conjugal com Pedro.

Os passos seguintes é até simples presumir, um passeio pela mente da protagonista, onde as memórias se misturam a sua imaginação delirante. O espetáculo montado por Nelson Rodrigues, aliado a precisão textual característica, referência claramente o clima de sonho, os devaneios são constituídos através de diálogos inverossímeis, hora até deixando o expectador (leitor) perdido.

E isso é comprovado no decorrer da história, do ponto que Alaíde encontra na figura de Clessi, o apoio necessário para a reconstrução dos fatos passados e até a revelação subconsciente de seus desejos, entre os quais está o assassinato de Pedro, como retaliação à contextura macabra que ele perpetrara envolvendo até a sua própria irmã.

Entretanto, gradativamente, as defesas sucumbem, figurando na comiseração de remorso que até aquele momento lutara por esconder. Pedro antes era namorado de Lúcia e Alaíde o roubou da irmã, posteriormente se casando com ele. A culpa – sem saber – faz com que projete cenas de amor entre o marido e a irmã, levando a impulsivamente concluir que o acidente foi premeditado pelo marido. Inconformada com as convenções sociais de repressão à mulher, Alaíde – não conseguindo em vida opor-se a elas –, manipula as pessoas com seu poder de sedução.

Enquanto que correndo risco de morte, o desejo de transgressão que parte de Alaíde toma corpo e salta aos olhos nas cenas em que se torna amiga da prostituta e conseguindo inclusive matar, com a maior frieza, o marido traidor. Quem morre mesmo é Alaíde no campo da veridicidade e uma nova peripécia, a peça já em seu desfecho, ganha novos rumos, atingindo outras condições conflitantes. Primeiro com a sua irmã Lúcia, corroída pelo remorso, recusa as investidas do cunhado: “Jurei que nem um médico veria meu corpo”. Mas, como nem tudo que reluz é ouro, numa ligeira sucessão de quadros, o expectador testemunha a ida de Lúcia a uma fazenda e seu retorno quando volta mais “gorda” e “corada” e pasme-se, disposta agora a se casar com Pedro. O desfecho interage com a perspectiva de que: a vida prossegue verossimilhante, indiferente das tragédias habituais.

Na ausência de um narrador, como previsto na posição dramática, a narração fragmentada é funcional, a rapidez dos flashes acompanha o delírio progressivo de Alaíde. No nível da realidade final – o casamento entre Lúcia e Pedro – até parece ser a personificação de um delírio pós-morte de Alaíde. Nesse específico literário, a linguagem, sem dúvidas, é a principal virtude, num misto de ironia e amargor.

Aspectos psicológicos do texto

Utilizando uma linguagem expressionista, o clima de tensão é característico, seja nas passagens entre Clessi e Alaíde, ou durante as desavenças com Lúcia no plano da memória. A tensão é característica em cada um desses períodos, levando a ação, sem perda de tempo ao seu final. O ritmo contínuo e acelerado para a finalização obriga ao texto cortar qualquer acessório que comprometa sua intensidade rítmica.

Em “vestido de noiva”, o expediente linguístico no teatro denota como fio articulador entre personagens e a ação. A unidade de ação abre espaço também para a discussão os elementos tempo e espaço. O fator tempo também se destaca. Nelson Rodrigues faz com que esses e demais elementos como linguagem e ação trabalhem um em função do outro, numa perspectiva única e diferenciada. E isso é possível pela perspectiva dialógica, que revela as forças contrárias que antagonizam as personagens desencadeando os conflitos.Não apenas à peça como o próprio Nelson Rodrigues são excessivamente freudianos, já que os planos da alucinação e da memória se passam no subconsciente de Alaíde. Sua relação com Madame Clessi, denuncia, uma Alaíde entediada com o casamento, desejando uma vida de desventuras, repleta de homens, fantasias e grandezas. Exatamente como a prostituta, mundana que ela conheceu através de um diário deixado pela "madame" no porão da casa onde morava e que depois foi de Alaíde.

Os desejos reprimidos de Alaíde vêm à tona somente no plano da alucinação. É nesta dimensão que ela mata o marido Pedro, por exemplo. Os planos mostram, portanto, atitudes diferentes e muitas vezes contraditórias. Uma ação ocorrida num plano em breve produzirá outra versão num plano diferente, impedindo que o espectador faça uma leitura definitiva a respeito das personagens, dos fatos e até mesmo da seqüência tempo-espacial do texto.

Apesar de funcionar como uma representação da mente decomposta de Alaíde, dividida entre o delírio e o esforço ordenador da memória, a peça decorre mesmo após a morte da protagonista. Rápidas seqüências se sucedem, como o remorso e a recuperação de Lúcia, chegando até seu casamento com Pedro.

Em “Vestido de Noiva” a psicanálise reside na constante luta contra o impulso, uma verdadeira batalha instintiva entre o impulso de vida e de morte, girando ambos entre os princípios do prazer e o de realidade. Madame Clessi é uma tentativa do seu consciente de se recuperar, mas como presa a própria psicanálise, o paciente doente não é capaz de resolver o conflito. O sinal da saúde é uma habilidade de equilibrar direcionamento e realidade em solucionar conflito.

Cena de uma apresentaçãono teatro:


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25 de outubro de 2010

Vestido de Noiva – A vida e a obra de Nelson Rodrigues

Bem-aventurado seja Nelson Rodrigues e sua obra Vestido de Noiva. Apesar de ser um texto composto para o teatro, é incrível a precisão que as cenas – no ato da leitura – interagem com o imaginário do leitor, formando aquele universo previamente proposto por Rodrigues. Dramaturgo, romancista, jornalista, comentarista esportivo. Emprestou sua invejável produção escrita para difundir uma das instituições que mais amava, o Fluminense. Nelson Rodrigues, considerado por Manuel Bandeira como de longe o maior poeta dramático que já apareceu na literatura do Brasil, tem seu nome definitivamente inscrito na história do teatro brasileiro.

Nem a mais opiniosa crítica ferrenha, poderia deixar de evidenciar o episódio que sucedia. Na noite de 28 de outubro de 1943, quando o elenco de comediantes iniciava o primeiro ato da peça Vestido de Noiva, ainda não podia imaginar, que protagonizava aquela que seria denominada como a retomada, um novo começo do teatro moderno no Brasil.

O estilo de Rodrigues, ao mesmo tempo em que encanta e seduz, é temido pela exacerbação do humor cítrico e ferino, numa contextualização escrita acossada pelo demônio da natureza. A passagem elucida a tristeza libidinosa, que se mistura a volúpia trágica no deleite doloso do próprio infortúnio. Mais do que isso, um choque, porque uma das leituras passíveis, é que Nelson Rodrigues retrata o homem em sua pureza natural, enegrecida pela atmosfera pecaminosa, repleta de abjeções.

Durante esse post, uma breve passagem sobre a vida de Rodrigues, enquanto somente numa próxima atualização é que seguirá a analise do texto Vestido de Noiva. A ideia se faz necessária para uma compreensão mais adequada desse fenômeno literário, pois apenas recorrendo a sua história é possível entender além do universo construído, as particularidades inseridas na trama.

As raízes do amor e do ódio

Nelson Rodrigues, nascido 23 de agosto de 1912 em Recife, engatinhou aos 13 anos, os primeiros passos no jornalismo por influência do pai, Mário Rodrigues. Tudo começou quando Mário – poucos anos após o nascimento do filho – resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, buscando melhores estimativas salariais. O jornalista não contava que a vida na então capital federal não fosse nada fácil. Tanto que alguns anos mais tarde, pela dificuldade em se firmar profissionalmente, remeteu uma carta a esposa comunicando o retorno a Recife. Sua mulher além de não permitir sua volta, desfez-se de jóias e outros utensílios de valor, embarcando todos para o Rio de Janeiro.Nesse período, Nelson tinha pouco mais que quatro anos. O próprio trataria de frisar anos mais tarde que foi o gesto – aparentemente impensado – de sua mãe que o tornou um típico “carioca” e o Fluminense ganhava o seu mais ilustre torcedor. Nos primeiros anos da família, a cidade maravilhosa não parecia tão encantadora, já que o cenário de encanto dava lugar à fome, quando Nelson diariamente levava só uma banana como merenda escolar. Em casa não havia janta, a única coisa que comiam era aipim e tinha até muito orgulho disso.

Com o passar dos anos, a situação financeira foi se normalizando. Na década de 20, Mário Rodrigues assumia a direção do Jornal A Manhã. O cargo teve um preço, a contragosto do pai que não queria ver os filhos seguindo sua carreira, Nelson não saia da redação. Mesmo sendo diariamente afugentado, como sempre voltava, acabou vencendo pelo cansaço. Situação semelhante a de seus irmãos, já que quase todos acabaram jornalistas.

Nelson Rodrigues começava sua carreira como repórter policial. Os relatos dos crimes passionais somados aos pactos de morte entre casais apaixonados que cobria, invadiam-lhe a mente, incendiando a imaginação do adolescente romântico, e mais tarde aflorando o seu literário, já que utilizaria muitas dessas histórias reais em suas futuras crônicas. Mas, quando se trata desse ícone da literatura, assim como o gênero que compreende ventura e sucesso são meros detalhes, o resto quase tudo realmente é tragédia. Foi numa ensolarada manhã de sol, que não estava fadada a ser um dia qualquer, uma mulher irrompia furiosamente a redação do jornal. Sentindo-se prejudicada pela publicação de uma matéria, estava decidida a matar Mário Rodrigues, como não o encontrou, conformou-se em dizimar Roberto Rodrigues, cuja única culpa atrelada a ele era a paternidade do diretor do periódico. Não muito tempo decorrente ao trágico episódio da morte de seu filho, a vida de Mário esvanecia, pois, segundo Nelson Rodrigues, naquele tempo inda era possível fenecer por amor.

Com a recente morte de Mário Rodrigues e o impresso destruído, vitimado pela revolução de 1930, as dificuldades da família recomeçaram. O estado de saúde de Nelson era preocupante, primeiro contraiu tuberculose, precisando deixar o Rio para se tratar. Quando retornou a cidade, foi hospitalizado outras quatro vezes, fruto de uma vida desregrada e má alimentação.

Em 1939, Nelson Rodrigues já era considerado “o sujeito mais obscuro do Rio de Janeiro”. Nesse período, animado pelo êxito da comédia “A Família Lero-Lero”, de Raymundo Magalhães Júnior, resolveu escrever uma peça em semelhantes moldes. Nascia “A Mulher sem Pecado”, o início de seu legado no teatro brasileiro. O que num primeiro instante, nem o próprio autor contava, era que a ideação de uma comédia se exauriu logo na primeira página.A peça inicial não obteve os resultados esperados, sendo lembrada apenas como aquela que antecedeu um dos maiores marcos da carreira do autor. Escrita em apenas uma semana, “Vestido de Noiva” era encenada dois anos depois, conseguindo a proeza de substituir o surrado cenário das comédias corriqueiras pelo amplo espaço físico necessário para construir os planos da realidade, memória e alucinação.
Nelson Rodrigues assina mais de 50 obras entre crônicas, contos, romances e peças teatrais.

Continua...

Mas com direito ainda a um sucinto resumo do que está por vir, sobre a trama de “Vestido de Noiva”.

“Som de buzinas, carros, movimento. Alaíde é atropelada na rua por um automóvel que foge sem prestar socorro. Levada ao hospital, em estado de choque, é submetida a uma operação de urgência. A imprensa divulga notícias sobre o acidente e o estado da vítima. Alaíde não aguenta e: morre!”

AGUARDEM!

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30 de setembro de 2010

O título: Quem cria é você!

Para saber a relevância da escrita na formação profissional, um dos muitos caminhos a ser tomados nessa temática pode ser analisar o próprio processo de formação de uma segmentação escrita.

A primeira parte é o processo de confecção do texto, as palavras parecem brotar de uma espécie de fonte, lugar incomum, desconhecido! Mas já dizia certo ditado, uma coisa é o texto, outra o contexto para se chegar ao texto – com o perdão da redundância.

Portanto, aí está você, em algum lugar qualquer, provavelmente sentado, pondo-se a ler este amontoado de letras que formam ainda o que não se sabe bem ao certo. Nesse instante, sem que possa perceber, uma série de eventos se desencadeia, e é nessa prolixidade que se estabelece uma consciência, em qualquer um dos seus simples momentos. Há, inicialmente, um processo de consciência e compreensão global do escrito, talvez focada na vida e seguida pela eminente sensação de estar só. E finalmente... as mesmas letras impressas, em qualquer um dos instantes, como num passe de mágica, começam a ganhar forma, primeiro de palavras, depois culminam em longos períodos, concebendo não meramente em informação, mas em apotegmas, ou simplesmente serão a mera apreensão de um traço.

Tudo isso é fundamentado por uma profusão de noções, a leve e iminente percepção de estar compreendendo o que se está tentando transmitir. E essa mesma compreensão, é certamente favorecida pela centena de milhares de informações que integram o fundo de sua consciência pensante, formado por vagas lembranças, desejos indiscerníveis, sentimentos e, sobretudo, lamentações. A sua vida inteira está aí, junto a você em cada lapso de instante em que você se faz existir...

Agora para tudo! Esse talvez não seja o melhor método de descrição, a cerca do que habita a consciência durante um breve e simples momento textual. No entanto, esse “apanhado” serve de exemplo introdutório para um dos principais dilemas que rondam esse estudo, a confusão pré-estabelecida envolvendo a importância da escrita para o homem em suas diversas vertentes, inclusive na formação profissional. Escrever é interação com o âmago pensante, trazer para o leitor uma parte do seu universo e a grande contribuição em qualquer esfera – inclusive na profissional -, é mais do que levar uma mensagem, é transmitir conteúdo acerca de uma causa, é literalmente interação: sempre!

PS: Esse post simboliza a tentativa de elaboração de um texto sobre a importância da escrita na formação profissional e não precisam dizer que n tem nada a vê com o tema, rs

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9 de julho de 2010

Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar - FIM

CLIQUE AQUI pra ver o texto anterior



Alguém se arrisca a adivinhar qual a referência ou alusão que estabelece o vídeo acima? Acertou quem pensou em Forrest Gump!

O filme publicitário de um dos automóveis de maior sonho de consumo entre os brasileiros estabelece clara analogia com o específico fílmico norte-americano, datado de 1994, que dirigido por Robert Zemeckis, foi estrelado por Tom Hanks no papel-título. O anúncio televisivo do Golf além de um belo exemplo de intertextualidade é também uma especiosa amostra de peça publicitária.Outra mostra interessante é a montagem baseada na imagem do filme Pulp Fiction com a Monalisa. O longa de Quentin Tarantino - protagonizado por John Travolta - interage com o quadro de Leonardo da Vinci, resultando em um deveras interessante exemplo de referência. Isso porque, nessa perspectiva, é estimulado o diálogo perfeito entre essas duas obras distintas, já que é impossível saber qual na prática realmente referencia a outra.

Machado de Assis é um forte ícone nesse gênero de intertextualidade. Foi um dos autores que melhor visualizou o valor desse artifício aliado aos seus recursos nas obras antes dos modernos. Na prática, era empregado em uma perspectiva de acentuar o drama de seus personagens. No romance Dom Casmurro, chega a citar Otelo para o leitor captar precisamente o drama de Bentinho.

Outro exemplo imponente é o trecho da canção L'Âge D'Or da banda Legião Urbana. A música traz uma breve conexão com uma passagem bíblica (Lucas, 22, 47-53). Nesse caso, clara referência a traição de Judas, quando através de um beijo entregou Jesus aos soldados romanos.

Já tentei muitas coisas
De heroína a Jesus
Tudo que já fiz
Foi por vaidade
Jesus foi traído
Com um beijo
Davi teve um grande amigo
Não sei mais
Se é só questão de sorte...


Referência também pode ser uma nota informativa de remissão em uma publicação.

Ex.: LIMA, Adriana Flávia Santos de Oliveira. Pré-escola e alfabetização: uma proposta baseada em Paulo Freire e Jean Piaget. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1986. 228 p.

- Alusão - referência vaga, de maneira indireta, a um autor ou obra.

Ex: "O deputado fez alusão à proposta do presidente Lula."
(Fez alusão, nesse caso, significa que o deputado se referiu à proposta do presidente.)


Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar

E finalmente adentrando – na base do demorou mais chegou - ao tema título, também o principal ponto de maior relevância sobre os demais. Um passeio por devaneios que não só contemplam todos os objetos analisados, e até possibilita perpetrar uma conclusão seguida pelo amplo conjunto de divagações.

Quando o tema é mensagem subliminar, as pessoas de forma automática a associam logo a apologia ao ocultismo e elementos afins. No entanto, o conceito básico não tem muito a vê com nada disso. Sendo apenas uma mensagem, uma espécie de código linguístico que não foi devidamente decodificado pelo receptor da mensagem. Entretanto, no ato de uma situação contrária, quando o leitor se mostra capaz de codificar aquela mensagem, essa perde – pelo menos perante aquele -, a condição de subliminaridade.

E obviamente, esses conteúdos estão ali implícitos a despeito de não estarem tão claros dentro do texto, porém, são onipresentes! Como nessa improvisada amostra de poema capenga:

Amar é perdoar
Morrer é sentir dor
Obsessão não é poder
Roubar não é desculpa para viver


Não levando em consideração a qualidade poética – na verdade a falta dela - nesse improviso, muitos ao se pôr a ler, não perceberão que a primeira letra que precede a frase em cada verso, ao fim da única estrofe, forma a palavra amor! Claro é apenas um exemplo básico. E afinal onde se estabelece a relação com a Referência e a Alusão? A alusão nada mais seria que uma referência de difícil associação, até imperceptível – como dito anteriormente -, e quando é compreendida essa mensagem dentro do contexto, perante o receptor deixa de ser uma alusão e adquiri o caráter de referência. A alusão aparenta ser baseada no conhecimento global da sociedade, mais propícia a identificar uma coisa do que outra, remetendo a compreensão dos poemas expressos também acima.

Vocês já podem comemorar, acabou!

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6 de julho de 2010

Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar

Referência ou Alusão, não chega a ser raro ouvir alguém dizer ou até balburdiar-se com essas palavras, sobretudo em situações de comunicação. Mas, o que seriam essas duas expressões afinal? De acordo com o dicionário, a primeira denota ação ou efeito de referir. Enquanto a seguinte, baseia-se na mesma ação ou efeito só que significando uma referência indireta, verdadeiramente vaga.

Utilizar-se de tais expressões não chega a ser raro, muitos não se atinam que ambas integram conceitos denominados como intertextualidade. Essa teoria contraiu amplo poder entre os precursores da literatura moderna e fora amplamente renegada no passado. Intertextualidade, em grosso modo, significa interação entre textos. Em outras palavras, o diálogo entre esses formando um emaranhado de signos organizados para transmitir uma mensagem. Parece complexo e bastante interessante, certo?

Errado! Pelo menos é o que pensavam os românticos do passado, creditando a intertextualidade como uma prática incoerente por não priorizar – ainda de acordo com eles - a originalidade das obras. O tempo foi passando e esvairando essas concepções. A busca pelo novo propagou em um modelo antigo, que de novo não tinha nada além do inédito assentimento. A perspectiva se baseava no total esgotamento de uma produção dentro de si própria, capaz de estabelecer a uma obra, diferentes conotações em meio a caracterizações totalmente distintas – base das grandes produções pós-modernas.

Embora se atenha primeiramente a literatura, a intertextualidade se desenrola nas diversas áreas do conhecimento, como pintura, música, cinema e até na publicidade. Quando se atesta que um determinado autor empregou a “Referência ou Alusão” no ato de uma segmentação escrita, significa que ele - de modo direto ou indireto -, utiliza-se de uma temática, ou mais precisamente um contexto ou ideia de elaboração prévia, usufruindo do advento de uma particularidade, a total liberdade de produção.

A Referência e a Alusão é uma comunicação sutil entre os textos, a qual se nota apenas uma leve menção de outro escrito ou a um componente seu. Na alusão, nunca se aponta diretamente o fato em questão, somente o sugere através de características secundárias ou mesmo metafóricas. Referência pode ocorrer de forma explícita ou implícita a uma obra de arte, um fato histórico ou até a um autor, servindo de artifício de comparação, e não só apela ao repertório global, como interagi com a capacidade de associação de ideias do leitor, o conhecimento compartilhado, comum ao produtor e ao receptor de textos.

Mas, como já se deve ter lido em algum lugar, uma coisa é contexto, outra é o texto. Muito diferente é o caso do uso de alusões por parte de um poeta. Nesse caso, não há alternativa senão buscar conhecimento adicional. Já que a Alusão é uma perspectiva de referência indireta a uma pessoa, um lugar ou uma coisa - seja essa fictícia, histórica ou atual -, usada no contexto de uma obra. Cai sobre a esfera da Alusão, a responsabilidade de afastar os chamados "preguiçosos" da poesia. Sobretudo porque para o bom entendimento do recurso, faz-se necessário na maioria das vezes a necessidade de vasculhar uma gama de informações incógnitas. Então partindo para outra vertente, um pouco de como tudo isso pode ser aproveitado na prática.

Exemplos de Referência e Alusão

No exemplo abaixo, o poema de autoria de Camões, faz referência poética a uma passagem bíblica (Gênesis, 29,15-30). Essa é uma referência ao antigo testamento, reza a lenda que Jacó serviu a Labão por sete anos em troca de sua filha Raquel e o pai entregou Lia, sua irmã mais velha. Forçando assim Jacó a trabalhar mais sete anos para que o pai concedesse sua filha mais nova.

“Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertencia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida”

A alusão, como ocorrido na literatura religiosa medieval, pode servir apenas para exibir sabedoria. Só pelo processo de reconhecimento, ou re-identificação desta relação por parte do leitor, é que pode se tornar efetiva, por adquirir uma função mais exigente do que a mera citação. A alusão difere da referência ainda pelo fato de seu sentido depender fortemente do contexto em que está inserida. Em certas circunstâncias, torna-se complexo expressar quando se pratica uma ou outra. Como no caso a seguir:

Primeiro uma breve sinopse: de Olhos Bem Fechados é o epílogo da carreira do consagrado diretor Stanley Kubrick, encerrando sua preciosa obra cinematográfica. Pode se dizer que o último é o mais ousado filme do cineasta. É uma constrangedora jornada psicossexual, um assustador universo alucinatório que representa um grande marco nas carreiras dos astros Tom Cruise e Nicole Kidman. Cruise interpreta o doutor William Harford, que é jogado numa aventura erótica que ameaça seu casamento - e envolvendo-o em um misterioso caso de assassinato - depois que sua esposa (Kidman) admite ter desejos sexuais por outra pessoa. Como a história caminha entre dúvidas e medo, auto-descobrimento e reconciliação, Kubrick conduz tudo isso com imagens surpreendentes. São características brilhantes que fazem dele um cineasta inigualável que, nesta obra, manterá todos os olhos bem abertos.- A senha FIDELIO, utilizada por Bill para entrar na orgia, vem do latim "fidelis", que significa fidelidade. Fazendo referência aos membros da alta sociedade que praticavam nesse caso a infidelidade.

- Um exemplo de alusão é o nome Harford, dado ao personagem de Tom Cruise, nada mais é do que uma homenagem do diretor Stanley Kubrick ao ator Harrison Ford, um tanto imperceptível é verdade!


Para nenhum morto vir me “encher” o saco que o texto está muito grande, continua no próximo post, com novos exemplos, como a música L'Âge D'Or da banda Legião Urbana, um comercial de tevê e enfim a Relação entre Referência e Alusão com a Mensagem Subliminar! Não percam coveiros!

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28 de junho de 2010

Por trás do horror do Halloween - A Origem



Bruxas com gargalhadas estridentes, morcegos por todos os lados, mortos que levantam das tumbas referendando todo o clima de terror. Essa é a típica atmosfera do halloween, um festival comum aos países de origem britânica, principalmente Irlanda, Inglaterra e Estados Unidos, exatamente no dia 31 de outubro. Já faz alguns anos que o Brasil importou uma das principais comemorações americana. A festa a cada ano atinge maior proporção e esse crescimento se deve primeiramente as escolas de idioma, e alguns colégios brasileiros que celebram o dia das bruxas, sobretudo no ensino infantil, com direito a fantasia de vampiros, fantasmas e outros monstros. Inclusive inúmeras lojas aproveitam o halloween como uma onda crescente utilizando o tema para decoração de vitrines.

Toda história tem um começo ...

O que poucos sabem é que o festival em suas origens, pouco tem a ver com monstros, filmes de horror e todos os seus similares. Os estudiosos apontam que a comemoração tem procedência centrada no antigo festival Celtairlandês, escocês e galês – após a colheita, intitulado de Samhain, uma época que as pessoas acreditavam que os espíritos dos mortos vagavam pela terra.Reza a lenda que os Celtas, durante a era pré-cristã, adotavam crenças e práticas druídicas para comemorar o término do verão e o último dia do ano. O dilema era mais ou menos o seguinte: a intensidade do sol gradativamente diminua com o começo do inverso. As pessoas automaticamente associavam esse fenômeno a uma espécie de processo de esvanecimento da vida e não só o ano chegaria ao fim. É bem plausível deduzir que imaginavam a noite assombrada por espectros e bruxas e, mas particularmente, pelos espíritos dos mortos a visitar os lares terrenos onde haviam morado.

Devido à profusão de ideias sobrenaturais, a noite não só era considerada perigosa, como também anunciava presságios. Preocupadas com sua sobrevivência, pessoas empregaram todos os meios possíveis para aumentar as chamas do sol, uma tentativa de ao menos, pacificar a fúria dos espíritos malignos. A esse propósito, além de acender fogueiras, chegavam a realizar verdadeiros sacrifícios bizarros.

No entanto, onde está estabelecida a relação entre Samhain e Hallowen? Começando com o ano-novo celta que tradicionalmente ocorria em 1º de novembro, é também o início do ano para as bruxas Wicca. Também é imprescindível ressaltar que o festival de Samhain estava estritamente relacionado com a estação do ano: época de colheitas e que as criações de animais eram trazidas de volta das pastagens mais afastadas. Tudo isso porque tanto a colheita quanto as criações se faziam necessárias para superar o duro período do inverno que estava por vir. A população acreditava que tudo que era vulnerável, deveria ser protegido e uma vez que não estivesse recebendo a devida proteção, provavelmente seria vitimado pelas forças da natureza.Os portões que separam o mundo dos vivos e dos mortos estavam abertos – pelo menos é nisso que acreditavam. A barreira entre os dois mundos se diluía e as almas entravam novamente no universo que um dia também lhe pertenceu. No Samhain as fogueiras eram acessas muito mais do que para mantê-los afastados e sim para iluminar o caminho daqueles que vagavam. Dessa ótica, a crença dos espíritos que divagavam, surgiu também o hábito de preparar comidas especiais e mais que isso, vestir-se como essas figuras ou animais selvagens. Foram todos hábitos amplamente difundidos na Irlanda antiga.

...Inclusive no Halloween dos tempos atuais

Muitas crenças e costumes associados ao Samhain – particularmente a noite das almas que perambulavam, o uso de fantasias e acender fogueiras – continuaram a ser praticado em 31 de outubro. Com o advento do Cristianismo , durante o passar dos anos, o halloween sofreu o que pode ser caracterizado como um processo de reinterpretação para que lhe fosse atribuído novos significados. De certo modo, significados mais simplórios e inocentes, quase atingindo o extremo oposto, a despeito das noites de terror que assolavam as comemorações festivas.

O halloween nos tempos atuais ainda é um dos festivais mais importantes do ano em muitos países. Muitas vezes são precedidos pela semana em que as crianças vão de casa em casa fantasiadas de preto ou usando máscaras ou ainda com outro tipo de fantasia, carregando morangos com lanternas e pedindo dinheiro, frutas ou nozes, entoando sempre um cântico em coro. O halloween é conhecido na América do Norte desde a época colonial. Entretanto, após os colonizadores irlandeses trazerem seus costumes do halloween para a América em 1840, é que o festival começou a se fixar popularmente. Por volta da metade do século XX, tornou-se basicamente um feriado infantil. Foi no final da década de 70 que ocorreu o grande ressurgimento das atividades entre os adultos, a ponto de após uma década eclodir como feriado nacional muito comercial.Mais de 50 milhões de americanos celebram o halloween, sendo que entre os adultos, pessoas entre 20 e 30 anos são mais propensos a festejá-lo. Até hoje, tradicionalmente as cores que predominam são o preto e o laranja que costumavam ser as favoritas nas festividades, conquanto hoje, passaram a dividir espaço com o roxo e o verde, quem sabe até mais usadas.

Gostosuras ou travessuras?

Existem diversas hipóteses quanto ao transcurso da brincadeira “gostosuras ou travessuras”. Alguns relatos dizem conta que surgiu na Irlanda há centenas de anos. A prática que se pode denominar como ato inicial, envolvia um seleto grupo de fazendeiros que percorriam todas as casas arrecadando comida para serem servidas nas festividades de ano novo do vilarejo, em homenagem aos deuses antigos que cultuavam. As pessoas que colaboravam com donativos, seria “prometida” uma espécie de sorte e quanto aos que não contribuíam, o discurso era um tanto mais fervoroso, sendo vítimas de constantes ameaças.

O segundo ato se estabelece como uma espécie de resposta á ação dos espíritos malignos. Os jovens formavam fogueiras enormes e o brilho das chamas, juntamente as labaredas que se formavam e percorriam os ventos, acalentava que as pessoas da cidade colocassem do lado de fora doces e comidas saborosas, uma forma de rogar aos espíritos que fossem embora, forma também de devastar todo o mal que os obsidiava. No instante que as chamas feneciam, os jovens desciam para a cidade, colhiam as inúmeras oferendas para em seguida se por a correr desenfreadamente. Caso não obtivessem ofertas, davam início ao seu jogo favorito, pregar peças nos habitantes do vilarejo. Esse ato que simboliza nada mais que uma farsa, era alimentada pelo alto número de moradores supersticiosos. Eles acreditavam que as almas maléficas poderiam adentrar suas casas, azedando o leite, matando gado, envenenando poços d’áqua ou mesmo corrompendo suas almas.

A terceira e última prática tem relação com uma tradição mais diferenciada. Na antiguidade, pessoas usavam um espécime de indumento assustador ou togas negras, e se embrenhavam pela escuridão da noite de halloween pedindo pelas almas. Em gratulação as ofertas acolhidas, eles ofereciam orações ou jejuavam pelas avantesmas perdidas, que, conforme a crença cobria de benevolência os doadores. Aqueles que se mostravam resistentes ou insensíveis aos pedidos, fatalmente seriam assombrados pelos espectros dos mortos negligenciados.Vale ressaltar também que a ação de reclamar por doces como forma de conter travessuras, relacionada ao halloween é um fenômeno dos tempos modernos que teve início na década de 1930. Inclusive sendo vista hoje como uma atividade potencialmente perigosa.

Fantasias e Abóboras Sorridentes

Na celebração atual do Halloween, é possível notar a presença de muitos elementos pagãos. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião do festival estão repletos de abóboras, bruxas, gatos pretos, vampiros, morcegos, fantasmas e toda espécie de monstros aterrorizantes, que às vezes para muitos chegam a ter conotações verdadeiramente satânicas. Os registros de origem mais remota do uso de fantasias no halloween remetem a época dos druidas. Na tarde de 31 de outubro, acendiam-se fogueiras enormes para oferecer animais, partes da colheita e, às vezes até, beirando a sandice, ocorriam sacrifícios humanos em intenção do deus do sol e para samhain, deus da morte.

Durante esses rituais, participantes usavam indumentárias confeccionadas com pele e cabeça de animais. A interação era forte, todos pulavam, brincavam e corriam sobre as chamas. Essa era a única maneira “descoberta” para “assustar” os espíritos malignos. Tudo fazia parte de uma crença druida que, as vésperas do ano novo celta, que caía em 1° de novembro, o deus da morte poderia clamar pelas essências de malignidade dos que haviam partido nesses doze meses que antecediam as comemorações. Reza a lenta que tais almas penadas poderiam ser enviadas para atacar a população, a vésperas da celebração em novembro. Portanto, o único meio de escapar, não sucumbido a danação, seria recorrer aos disfarces, túnicas e afins para que se fizesse notados sem que necessariamente fossem reconhecidos.No entanto é premente uma constatação. Presumindo que a brincadeira “gostosuras ou travessuras”, nos Estados Unidos, date apenas a partir da década de 1930, é incerto formar um conceito constituindo uma analogia, um processo de afinidade direta entre o costume druídico de usar dissimulação e a tradição anual de se fantasiar no halloween. Posto que de fato há um apanhado de indícios que demonstrem que mesmo coincidentemente, pedir doces de porta em porta, bem como o hábito de adotar disfarces, caminham lado a lado e parecem sim beber da mesma fonte de ideias, mesmo a influencia não sendo devidamente comprovada.

Já a tradição da lanterna feita de abóbora, recortada nos moldes de um rosto nasceu das crenças celtas no período da baixa idade média. E para variar, o motivo só poderia ser um só, dissuadir as entidades nefastas. A fábula diz que a “cabeça de abóbora” era a lanterna de um vigia que se entretinha promovendo trotes com conteúdo envolvendo Deus e o demônio. Por essa razão foi amaldiçoado a carregar sua lanterna por toda eternidade, a fim de iluminar o percurso ao mundo dos espíritos.Também se tem notícia de outras abordagens, nesse caso distinta da primeira, sendo que a prática é nada mais que um antigo símbolo que representa uma alma penada. Certo mesmo é que os imigrantes irlandeses trouxeram para a América a maior parte das tradições do dia das bruxas, incluindo a da cabeça de abóbora.

Halloween como proposta pedagógica

Gostosuras ou travessuras? Anos atrás era uma pergunta bastante comum, hoje cada vez mais presentes nas salas de aula, embora aparente ser utilizada sem qualquer critério. Prevalece a indagação: em que situação o halloween pode ser utilizado de um modo autêntico ou mais próximo disso nas salas de aula? No dia 31 de outubro algumas escolas brasileiras celebram o Halloween. As crianças, sobretudo do ensino infantil, fantasiadas brincam de Trick or treat (doces ou travessuras), trocando doces com seus colegas. Será que elas sabem exatamente o que comemoram? Até que ponto é relevante as crianças participarem de uma manifestação cultural estrangeira fora do seu contexto usual?Não é absurdo afirmar que comemorar por comemorar – com perdão da redundância – muitas vezes sim ocupa tempo de aulas muitas vezes importantes e acabam em nada acrescentando na formação estudantil das crianças. Inda assim, é passível de crítica atestar que não se deve celebrar uma data na escola que não represente nada para a realidade do aluno. É imprescindível explanar a origem do surgimento da comemoração, o desafio é contextualizá-la para que criem uma identificação, estabelecendo assim uma espécie de sentido.

Limitar a comemoração a disciplina de Língua Britânica parece uma alternativa até razoável. Como também explicar a questão da influência de outras culturas graças à imigração e à globalização. É necessário apresentar as crianças, as diferenças culturais entre os vários países e até discutir sobre o choque cultural. É preciso ter cuidado, com respeito às atenções no mês de outubro para o “Dia das Bruxas” e lembrá-las que, esta data não faz parte da nossa história e tradição. Em 2005, o Governo do Estado de São Paulo, decretou o Dia do Saci, o mesmo dia 31 de outubro. Isso mostra o intuito de valorizar a cultura brasileira e tentar refrear a americanização, uma vez que, o Saci é um símbolo do nosso folclore.

O próprio processo histórico já resulta em aprendizado, porém é com o uso da língua que é possível atingir novas diretrizes. Nestas festividades, são preparados pratos especiais como pães de aveia, pão doce holandês com passas, manjar escocês de aveia, pudim de batata, entre outros. Existe também uma vasta questão de decoração e personagens, são diversos adereços e tudo isso quando bem desenvolvido pode culminar em uma única dádiva: a aprendizagem.

É impossível imaginar, além do conteúdo histórico, o conjunto de vocabulários que se pode aprender com o halloween, mediante o uso de música, filmes e a cultura em geral. Entretanto, existe um medo ou receio generalizado que as raízes sejam sucumbidas e padeça perante a foice do cavaleiro negro com cabeça de abóbora, o que não sabem é que Saci-Pererê é esperto demais para facilmente ser vítima desse mal. Com criatividade é possível conciliar as duas culturas, abordando o mundo de fantasia que as compõem, pois o contato com outras culturas é muito importante para a formação das crianças.

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19 de junho de 2010

Por trás do horror do Halloween



Assombrações, bruxas voando em vassouras, uma grande profusão de abóboras, seguida por morcegos de todos os lados, hahahahahhah, bem vindo você está no halloween. Esse é o dia em que os seres da noite escolheram para se juntar aos vivos, num cenário bem conhecido pela decoração atípica, acompanhado sempre por fantasias e muitos doces. No entanto, foi com o passar dos tempos que o halloween adquiriu potencial espontâneo de levar as pessoas a sentir fascinação por fantasmas e seus derivados, já que as origens do festival, pouco ou nada têm a vê com bruxas e afins. Podendo até ser utilizado como um artifício a serviço da aprendizagem.

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1 de dezembro de 2009

Pálido Ponto Azul




No dia 14 de fevereiro de 1990, tendo completado sua missão primordial, foi enviado um comando a Voyager 1 para se virar e tirar fotografias dos planetas que havia visitado. A NASA havia feito uma compilação de cerca de 60 imagens criando neste evento único um mosaico do Sistema Solar. Uma imagem que retornou da Voyager era a Terra, a 6.4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um "pálido ponto azul" na granulada imagem.

Sagan disse que a famosa fotografia tirada da missão Apollo 8, mostrando a Terra acima da Lua, forçou os humanos a olharem a Terra como somente uma parte do universo. No espírito desta realização, Sagan disse que pediu para que a Voyager tirasse uma fotografia da Terra do ponto favorável que se encontrava nos confins do Sistema Solar.

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21 de setembro de 2009

Somos donos de nossa palavra!


Algumas vezes, nos deparamos com pessoas que criticam o vocabulário de uma determinada sociedade ou quem sabe de um individuo em especial. Ressaltam que o português é pronunciado de forma anedótica, sem importar-se com as tradicionais regras gramaticais. Discussões dessa espécie são presenciadas a todo o momento. Baseado no dilema, Sírio Possenti abordou em seu texto “Não Existem Línguas Uniformes”, as diferentes maneiras adotadas pelos brasileiros na prática utilitária de seu idioma. Generalizando, o autor deixou claro que em português ou em qualquer outra idioma, a população segue critérios internos e externos à língua, seja dentro de uma sociedade, comunidade e por que não, individualmente, entre cada habitante.

Vamos esquecer um pouco a lingüística e falar um pouco de roupas. Um grupo, composto por 200 pessoas, resolveu sair à rua sempre usando um terno. Daí vão alegar que todos se vestem da mesma forma? O traje pode variar desde a cor, a textura e ao feitio. Podendo haver centenas de ternos diferentes, e nenhum deixa de ser terno. Na linguagem o processo é semelhante, somos um país riquíssimo, que adota a língua portuguesa (brasileira) e temos mais de 150 milhões de subgêneros. A língua se adapta a todos os estilos.

Constatamos isso acompanhando o trabalho de três conhecidos escritores da literatura brasileira. O português contido nos livros de Machado de Assis há muito não é usado. A língua sofreu forte alteração, provando que não é estática. Passamos para dois gênios mais atuais, Guimarães Rosa com o clássico interiorano “O Grande Sertão Veredas” e para “Coivara da Memória” livro consagrado, de autoria do sergipano Francisco Dantas. Ambas as obras ocorrem num cenário rural, com muitas palavras de uso local e desconhecidas entre seus leitores. Cada livro tem o seu vocabulário, eles não se assemelham. Os sertões brasileiros não dividem a mesma linguagem.


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8 de agosto de 2009

Filme financiado pelo Hamas tem estreia em Gaza

A espera foi ardua, mas finalmente Imad Aqel, do grupo palestino Hamas estreou na Faixa de Gaza, após longos meses de sucessivas dificuldades nas filmagens em território palestino.

Sendo o primeiro título financiado pelo grupo, a produção teve sua première no sábado. Com um custo estipulado em US$ 120 mil, foi escrito por um dos principais líderes do Hamas.A película foi rodada ao longo do ano passado, inclusive quatro dos atores que integravam o projeto foram mortos vítimas da ofensiva israelense contra Gaza, em janeiro. O diretor disse ter esperança de inscrevê-lo no Festival de Cinema de Cannes deste ano.

Aplausos

A trama apesar de simples possui certo grau de complexidade. Narrando a história de Imad Aqel, militante da organização que acumula duas caracteristicas não só distinta como diretamente oposta, visto como verdadeiro herói pelos palestinos e como terrorista por Israel. Militante do Hamas, Aqel esteve envolvido em diversos ataques contra alvos israelenses no início dos anos 90.Israel o acusa de ser culpado pela morte de 13 soldados.

Depois de uma longa operação de busca, seu esconderijo em Gaza foi cercado por forças israelenses em 1993, sendo morto com apenas 22 anos. Segundo os impressos que circulam na Faixa de Gaza, a cena que provocou reações mais frenéticas, com verdadeiros gritos do público foi quando um dos personagens soltam a seguinte afirmação: "Matar soldados israelenses é adorar a Deus".

O Hamas é dono de uma formidável rede de comunicação, tendo sob seu controle uma emissora de televisão, uma rede de rádio e muitos jornais.No que descreve de "cultura da resistência", a organização também patrocina festivais de arte, peças de teatro e livros de poesia - a maioria sobre as condições de vida em Gaza.

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7 de agosto de 2009

Windows Media Player 12

A melhor forma de expressa-lo é primeiramente atestar que logo se trata de uma segmentação projetada por amantes de mídia para atingir diretamento os outros verdadeiros amantes de mídia.

Esse é o principio basico do novo Windows Media Player 12, um novissimo apetrecho com surprrendente desempenho para reproduzir mais arquivos e vídeos do que nunca — incluindo aquelas músicas não protegidas da sua biblioteca do iTunes!

O Media Player 12 está totalmente reformulado, novas ferramentas facilitam a a utilização por parte dos usuários para reprodução de mídia... Virá nativamente integrado ao novo Windows 7 e dentre os novos recursos destacam-se a nova interface, remoção do botão “tocando” e principalmente as alteraçães no gerenciamento das mídias.

O Windows Media Player agora reproduz os formatos de áudio e vídeo mais populares — incluindo novo suporte a 3GP, AAC, AVCHD, DivX, MOV e Xvid.

...em mais lugares

O novo recurso Reproduzir em transmite músicas e vídeos a outros computadores com Windows 7 e dispositivos compatíveis da casa, como o Xbox 360. Você pode até mesmo fazer o streaming de sua biblioteca de músicas pela Internet de um computador para o outro.

Novos modos de reprodução

O novo modo Em Execução é um estudo sobre minimalismo: ele mostra apenas os controles de que você precisa, então nada fica entre você e as suas músicas ou vídeos. Uma nova miniatura da barra de ferramentas (com controles de reprodução!) torna a visualização mais fácil e divertida.

Mais fácil, mais divertido

Curta uma reprodução de DVD mais inteligente, visualizações de músicas de 15 segundos e Listas de Atalhos para acesso rápido às suas mídias favoritas. E isso é só para começar.

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6 de agosto de 2009

Ratos e sua musicalidade

Cada vez fica mais evidente a evolução da comunicação entre homens e animais. Não é de hoje que os humanos usam sua racionalidade para desenvolver novos métodos para promover uma interação mais acentuada com o mundo animalesco. E para celebrar esse convívio perfeito, porque não conceber essa prática como uma atividade artística.

Esse é o objetivo da fotógrafa holandesa Ellen van Deelen, que garante ter ensinado dois ratos a posarem para ela segurando minúsculos instrumentos musicais. Aos 51 anos, conta que utilizou alimentos como o principio do trabalho de adestração, a comida teve um papel funcional de como compensação para os animais.

Em suas fotos, os ratos Moppy e Witje são os personagens que parecem realmente tocar instrumentos como banjo, flauta, violão e saxofone, entre outros."Eu odiava ratos. Mas depois que adquiri esses dois, me dei conta de que são animais limpos e muito inteligentes", afirma. "Tão inteligentes que reconhecem seus próprios nomes e entendem o que eu digo".

O trabalho de Van Deelen também engloba imagens de insetos, gatos, aves e até plantas. A inspiração surgiu através de seus preceitos religiosos, utilizando essas imagens para despertar a atenção para a importância e beleza da vida. "Como sou cristã, espero que minhas fotos mostrem um pouco da linda criação de Deus", finaliza.

Confiram algumas imagens:


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